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Pintura Portuguesa
do Século XVII. Histórias, Lendas, Narrativas Museu Nacional
de Arte Antiga, Lisboa |
O
Museu Nacional de Arte Antiga de Lisboa apresenta a partir do dia 4 de Fevereiro
e até 2 de Maio de 2004 uma exposição intitulada Pintura
Portuguesa do Século XVII. Histórias, Lendas, Narrativas. Comissariada
pelo Professor Luís de Moura Sobral, da Universidade de Montreal, autor
do respectivo catálogo, a mostra constitui um primeiro panorama da pintura
de um século ainda mal estudado e pouco conhecido do público.
O conceito da exposição baseia-se na própria natureza da
pintura da época clássica, fundada na preponderância da
figura humana e no princípio da «hierarquia dos géneros»,
uma classificação que distribuía os géneros pictóricos
numa escala decrescente de importância : pintura de história, retrato,
paisagem, natureza-morta. Centrada assim na ideia de narração
inerente à pintura de «história», o género
mais nobre, a exposição apresenta, num percurso não cronológico,
oitenta e uma pinturas distribuídas em oito núcleos temáticos.
Os núcleos foram organizados segundo a progressiva complexidade das respectivas
composições, independentemente da ordem cronológica. Às
figuras isoladas dos dois primeiros (quadros de devoção, retratos),
segue-se a série do tecto da capela-mor da igreja da Ajuda de Peniche
(figuras e histórias de Baltazar Gomes Figueira) e duas salas com naturezas-mortas
e com os Meses de Josefa de Óbidos. As «histórias»
propriamente ditas (cenas bíblicas, evangélicas, profanas), integram
o VI núcleo, com reduzido número de actores ao princípio
e em cenas de grande aparato no final, acabando a exposição com
representações do maravilhoso hagiográfico (milagres, aparições,
visões) e com dois auto-retratos (núcleos VII e VIII).
A exposição possibilitou a recuperação de muitas
pinturas e a revelação e o estudo de outras (praticamente metade
das obras expostas são inéditas). De um esquecimento quase total
nas reservas do Museu de Aveiro, sai a o pintor António André,
artista maior da primeira metade do século; as nove telas do tecto de
Peniche, peças essenciais do naturalismo português, em sério
risco de se perderem, foram retiradas, limpas e estudadas no seu conjunto; os
Meses de Josefa de Óbidos são mostrados e analisados pela primeira
vez; revelam-se, enfim, novas pinturas de Oliveira Bernardes, Bento Coelho,
Marcos da Cruz, João Gresbante e de André Reinoso, e propõem-se
novas leituras, interpretações e atribuições de
muitas outras obras.
Estrutura
da exposição
81 pinturas
Núcleo I :
Figuras (13 quadros)
Núcleo II : Retratos (10 quadros)
Núcleo III : Um ciclo narrativo (9 quadros)
Núcleo IV : Naturezas mortas e incêndios (5 quadros)
Núcleo V : Meses de Josefa de Óbidos (3 quadros)
Núcleo VI : Histórias (20 quadros)
Núcleo VII : Prodígios (19 quadros)
Núcleo VIII : A figura do pintor (2 quadros)
Artistas
representados
António André (1580/90-cerca de 1654)
António de Oliveira Bernardes (1662-1731)
Bento Coelho (cerca de 1620-1708)
Marcos da Cruz (cerca de 1610-1683)
Domingos da Cunha, o Cabrinha (cerca de 1598-1644)
Baltazar Gomes Figueira (1604-1674)
João Gresbante (act. 1640-1680)
Marquês de Montebelo (1595-1662)
Josefa de Óbidos (1630-1684)
Diogo Pereira (act. 1637-1658)
José de Avelar Rebelo (act. 1637-1657)
André Reinoso (act. 1610-1641)
Francisco Nunes Varela (1621 -1699)
Domingos Vieira (act. 1627-1678)
Destaques
1. Recuperação da figura de António André (Aveiro,
c. 1580- c. 1654)
2. Recuperação das nove telas do tecto da capela-mor da Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, Peniche, de Baltazar Gomes Figueira (c. 1635)
3. Três quadros com Meses (1668) de Josefa de Óbidos expostos pela primeira vez
4. Cerca de quarenta quadros inéditos e recuperados
5. Novos quadros de António André, António de Oliveira Bernardes, Bento Coelho, Marcos da Cruz, João Gresbante, André Reinoso
6. Novas atribuições, leituras e interpretações de muitos quadros
Contactos :
Dra. Alexandra Markl
Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa
Telefone : 21 391 2800
Luís de Moura
Sobral
Telefone (Montreal, Canadá) : (514) 343-6026
[email protected]
Ler ainda:
Apresentação
do Catálogo por Luís de Moura Sobral
Artigo no Público