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Cria procedimentos para a colocação de docentes do ensino do português no estrangeiro no quadriénio de 2002-2006
Decreto-Lei n.º 176/2002
de 31 de Julho

NÚMERO : 175 SÉRIE I-A
EMISSOR : Ministério da Educação

DIPLOMA/ACTO : Decreto-Lei n.º 176/2002 (Rectificações)
SUMÁRIO:

PÁGINAS DO DR : 5567 a 5569

Uma aposta maior na afirmação da língua e da cultura portuguesas no estrangeiro, enquanto factor determinante de reforço dos elos de ligação a Portugal das comunidades portuguesas e, em particular, dos luso-descendentes, bem como de promoção da identidade nacional face à globalização, constitui um objectivo relevante da política externa do XV Governo Constitucional. Essa aposta acrescida reclama a atribuição ao Ministério dos Negócios Estrangeiros das competências necessárias para assegurar uma mais estreita coordenação e convergência das políticas culturais promovidas pelos diferentes departamentos governamentais, com vista à gestão mais eficaz dessas políticas no exterior.
A política do ensino do português no estrangeiro, a cargo do Ministério da Educação, é um instrumento privilegiado da promoção da língua e da cultura portuguesas. A revisão de todo o enquadramento jurídico desta política revela-se hoje imprescindível, não apenas para acolher aquele objectivo de atribuição ao Ministério dos Negócios Estrangeiros da maior coordenação das políticas de promoção externa da língua e da cultura portuguesas mas igualmente para adaptar as características do ensino português no estrangeiro às suas exigências e desafios actuais e às expectativas dos seus destinatários.
Importa reconhecer que se alteraram as motivações que estiveram na base da institucionalização, em 1977, dos ainda hoje denominados "cursos de língua e cultura portuguesa". Na verdade, a perspectiva de ensino/aprendizagem do português já não é apenas a da língua materna, a qual visa a manutenção dos laços à língua e à cultura de origem e assegurar as condições para o retorno das várias gerações de emigrantes e dos seus descendentes. A integração dos luso-descendentes nas sociedades de acolhimento, a que se assiste hoje de forma patente, impõe a redefinição dos objectivos iniciais, conjugando a vertente do ensino da língua materna com uma estratégia de promoção do português como língua estrangeira.
O ensino do português no estrangeiro, enquanto modalidade especial de educação escolar, envolve na actualidade um conjunto de situações diferenciadas, das quais se destaca não apenas o ensino da língua e cultura portuguesas aos portugueses emigrados e aos luso-descendentes mas também o ensino da língua e cultura portuguesas em cursos integrados nos países de acolhimento das comunidades portuguesas, o ensino do português nos países africanos de língua oficial portuguesa e em Timor, o ensino do português em determinadas áreas estratégicas, como os países de expressão castelhana do Mercosul e alguns países da África subsariana, bem como as necessidades de ensino do português inerentes ao facto de este ser língua oficial da União Europeia.
Neste contexto, torna-se necessário definir um novo enquadramento global e estratégico do ensino do português no estrangeiro, destacando-se a exigência de elaboração de um "quadro de referência" para os conteúdos desse ensino que tome em consideração as orientações para o ensino/aprendizagem das línguas, nomeadamente as do Conselho da Europa, mantendo, no entanto, a abordagem de temas socioculturais do universo da língua e da cultura portuguesas, e que assegure a possibilidade de certificação das aprendizagens.
No âmbito do referido novo enquadramento global e estratégico do ensino do português no estrangeiro, insere-se também, naturalmente, a revisão do regime jurídico dos docentes a quem incumbe este ensino, actualmente constante do Decreto-Lei n.º 13/98, de 24 de Janeiro, e do Decreto Regulamentar n.º 4-A/98, de 6 de Abril, regime este que se caracteriza, para além da possibilidade de contratação local de docentes, pela colocação dos professores em regime de destacamento, mediante concurso, por períodos de quatro anos.
No entanto, antes mesmo da revisão mais ampla deste regime, em termos coerentes com o novo enquadramento global e estratégico do ensino do português no estrangeiro, revela-se imprescindível nele introduzir, desde já, algumas alterações de carácter intercalar. Estas alterações visam, no essencial, permitir, sem prejuízo da estabilidade requerida pelo destacamento de professores no estrangeiro, a flexibilidade quanto ao âmbito geográfico dessas colocações, o que é necessário para garantir a adaptação do regime actual ao modelo de organização do ensino do português no estrangeiro que vier a ser definido. Este é o objecto do presente diploma.
Foram observados os procedimentos decorrentes da Lei n.º 23/98, de 26 de Maio.
Assim:
No desenvolvimento do regime jurídico estabelecido no artigo 22.º e nas alíneas c) e i) do n.º 1 do artigo 59.º da Lei n.º 46/86, de 14 de Outubro, na redacção que lhe foi dada pela Lei n.º 115/97, de 19 de Setembro, e nos termos da alínea c) do n.º 1 do artigo 198.º da Constituição, o Governo decreta o seguinte:
Artigo 1.º
Objecto
1 - O presente diploma tem por objecto o processo de colocação de docentes da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário para o preenchimento dos lugares do ensino do português no estrangeiro nos termos do concurso aberto pelo aviso n.º 4365/2002 (2.ª série), publicado no Diário da República, 2.ª série, de 28 de Março de 2002.
2 - O preenchimento dos lugares referidos no número anterior obedece às regras estatuídas no presente diploma e, em tudo o que não lhes for contrário, aos termos do referido aviso n.º 4365/2002 e ao disposto no Decreto-Lei n.º 13/98, de 24 de Janeiro, e no Decreto Regulamentar n.º 4-A/98, de 6 de Abril.
Artigo 2.º
Preenchimento de lugares
1 - O preenchimento dos lugares referidos no n.º 1 do artigo anterior é feito por docentes que se encontrem em alguma das seguintes situações e aceitem ocupar os mesmos:
a) Professores colocados no concurso para o preenchimento desses lugares, prestando ou não serviço docente no estrangeiro à data da entrada em vigor do presente diploma, em regime de destacamento;
b) Professores a recrutar mediante contratação local.
2 - Os lugares são preenchidos de acordo com as prioridades seguintes:
a) Primeira prioridade - professores referidos na alínea a) do número anterior;
b) Segunda prioridade - professores que, sendo candidatos ao concurso e, por qualquer razão, não tendo sido colocados, prestem, à data da entrada em vigor deste diploma, serviço docente no estrangeiro, em regime de destacamento, e aceitem a prorrogação ou renovação dos seus destacamentos;
c) Terceira prioridade - professores referidos na alínea b) do número anterior.
Artigo 3.º
Período de preenchimento dos lugares
1 - O preenchimento dos lugares referidos na alínea a) do n.º 2 do artigo anterior é feito pelo período correspondente aos anos lectivos de 2002 a 2006, mas considerando o disposto nos números seguintes.
2 - De acordo com o reordenamento da rede de ofertas do ensino do português no estrangeiro a que haja lugar, os professores não poderão recusar ser recolocados em lugares diferentes dos da primeira colocação, desde que em países de língua idêntica à dos países onde forem inicialmente colocados.
3 - A recolocação será feita de acordo com as listas graduadas do concurso e, havendo aí disponibilidade de lugares, dentro do país da primeira colocação.
Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 12 de Junho de 2002. - José Manuel Durão Barroso - Maria Manuela Dias Ferreira Leite - António Manuel de Mendonça Martins da Cruz - José David Gomes Justino.
Promulgado em 15 de Julho de 2002.
Publique-se.
O Presidente da República, JORGE SAMPAIO.
Referendado em 19 de Julho de 2002.
O Primeiro-Ministro, José Manuel Durão Barroso.


Aposta no crescimento económico através da cultura

Lisboa, 6 de Maio de 2002 (Lusa) - Um novo Instituto Camões começou hoje a ser "desenhado" com algumas inovações que passam pela aproximação entre os
ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Cultura e por uma aposta no
crescimento económico através da cultura.
Estas ideias foram defendidas em Lisboa pelo ministro dos Negócios
Estrangeiros e das Comunidades Portuguesas, Martins da Cruz, durante a cerimónia de tomada de posse da nova presidente do Instituto Camões, Maria José Stock.
Falando na cerimónia, que teve lugar no Palácio das Necessidades, Martins da Cruz começou por assinalar a presença do ministro da Cultura, Pedro Roseta, como ilustrativa da forma como vai ser delineada a política cultural externa em em estreita articulação e colaboração entre o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), o Ministério da Cultura e ainda o Ministério da Educação.

O ministro salientou que este objectivo de criar sinergias entre os diversos departamentos ministeriais visa optimizar a gestão da política cultural externa para melhor promover e afirmar a língua e cultura portuguesa no mundo. Martins da Cruz sublinhou a internacionalização da economia nacional como um dos factores que estimulam o interesse pela língua portuguesa e por isso - defendeu - a aposta na cultura é também uma aposta no crescimento económico dado que a economia do século XXI será dominada pelas indústrias culturais, designadamente pelos conteúdos.

Adiantou ainda alguns dos projectos que pretende desenvolver como o desafio estimulante de apoiar Timor-Leste, a primeira nação independente do século XXI, na sua decisão de adoptar a língua portuguesa como língua oficial do futuro estado.

Deveremos igualmente explorar e penetrar no mercado hispânico, avançou, sustentando que o número de hispano-falantes a querer aprender português está a aumentar, em virtude não só da integração regional sul-americana, mas também devido a uma maior aproximação à Europa. Por isso, Martins da Cruz preconiza a necessidade de estar à altura de responder a esta procura e explorar parcerias com o Brasil. Algumas críticas ao anterior governo ficaram no ar durante o discurso do novo
ministro que recordou que na interacção havida entre os Ministérios dos
Negócios Estrangeiros, da Cultura e da Economia, através do ICEP, o Instituto
Camões esteve praticamente ausente
, uma situação que a seu ver importa não
repetir.
Uma outra crítica foi no sentido da necessidade de consonância entre a acção diplomática portuguesa e as autoridades do Instituto Camões, o que nem sempre sucedeu. Mas Martins da Cruz fez referência também a outros projectos já em desenvolvimento e que devem ser desenvolvidos como a consolidação e expansão dos
falantes de português nos PALOP, que deve permanecer um objectivo
permanente
.
No entanto, a afirmação da língua e cultura portuguesas não deve passar só pelo crescimento das populações que falam português, mas também pela capacidade de
manter o português como língua de comunicação internacional, defendeu.

Martins da Cruz fez também questão de salientar que o raio de
actuação do Instituto Camões são os cinco continentes e que as suas
competências envolvem diversas actividades como superintendência dos Centros Culturais, concessão de apoio financeiro e bolsas de estudo ou promoção e apoio à produção de obras portuguesas no estrangeiro.
O ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou, falando aos jornalistas, estar em
conversações com o ministério da Educação com vista a desenvolver uma melhor articulação entre os consulados e os professores de português no estrangeiro.
O objectivo é chegar melhor aos filhos de portugueses a viver no
estrangeiro que querem aprender a língua
, afirmou, reconhecendo, porém,
que ainda não existe "o desenho final" deste projecto.

A nova presidente do IC, Maria José Stock, garantiu, por sua vez, que irá
iniciar alguns projectos novos, embora não tenha querido avançar quais. D
efendeu, no entanto, que numa perspectiva global a prioridade será sempre desenvolver e galvanizar a língua e cultura portuguesas e fazer com
que o português ocupe um lugar primordial e fundamental.

AL/JCD Lusa/Fim

Linda-a-Velha § 15 de Maio de 2002

Ministro define objectivos

«É nosso objectivo criar sinergias entre os diversos departamentos ministeriais,
optimizando a gestão da política cultural externa por forma a melhor promover e
afirmar a língua e cultura portuguesa no mundo. Nesta conjugação de esforços o
Instituto Camões surgirá como a 'torre de controlo' que procurará harmonizar e
dar coerência ao conjunto das nossas acções culturais com dimensão externa»,
disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, ao dar posse, no passado dia 6, à
nova presidente daquele instituto, Maria José Stock, 54 anos, profª associada de
Sociologia da Universidade de Évora (ler último JL).
Aproveitando a cerimónia para definir linhas essenciais do que defende neste
domínio e para a instituição que tutela, Martins Cruz acrescentou: «Entendo que
hoje em dia a política cultural externa deve cumprir a dupla função de, por um
lado, preservar e promover a nossa identidade nacional, reforçando a ligação
entre todos os que falam português no mundo, e, por outro, ser um dos
instrumentos da nossa política externa, contribuindo assim para um novo recorte
na afirmação de Portugal.»

Na presença também do ministro da Cultura, Pedro Roseta - presença sublinhada
pelo seu colega de Governo -, o anterior embaixador de Portugal em Madrid
lembrou que «o Instituto Camões estende hoje em dia a sua actividade pelos cinco
continentes, do Chile à Austrália e dos Estados Unidos à Rússia». Mas, opinou,
«se o propósito é louvável, talvez seja útil recentrar a sua acção e conceber
estratégias próprias para cada local, obedecendo a acções integradas. Os
desafios e necessidades com que nos deparamos na África do Sul não são
equivalentes aos do Uruguai. A dispersão pode confortar as estatísticas, mas a
qualidade deve primar sobre a quantidade».

Martins da Cruz salientou que «a consolidação e expansão dos falantes de
português nos PALOPS deve permanecer um objectivo permanente. Para tal importa
actuar em colaboração com a Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa,
onde assinale-se, entrou já em funcionamento o Instituto de Língua Portuguesa,
com sede na cidade da Praia». E prosseguiu: «Neste âmbito aguarda-nos um desafio
estimulante que é o de apoiar Timor Leste, a primeira nação independente do
século XXI, na sua decisão de adoptar a língua portuguesa como língua oficial do
futuro Estado. No restante continente asiático, nomeadamente em Macau, deverá
ser mantida uma estreita articulação com o Instituto Português do Oriente».

Outra vertente que o ministro dos Negócios Estrangeiro enfatizou foi a
necessidade de «explorar e penetrar no mercado hispânico». «O número de
hispano-falantes a querer aprender português está a aumentar, em virtude do
processo de integração regional sul-americana, mas também devido a uma maior
aproximação à Europa. Temos de estar à altura de responder a esta procura e
explorar parcerias como Brasil».

Quanto à «promoção da. língua e da cultura deve, igualmente, procurar interfaces
com o exterior, com a sociedade civil», e «o nosso compromisso com as
Comunidades Portuguesas obriga-nos a manter uma presença significativa nos
diversos países de acolhimento». «Todavia - sempre segundo Martins da Cruz -
importa reter que a afirmação da língua e da cultura portuguesas não passa
somente pelo crescimento das populações que falam português. Passará também pela
capacidade que tivermos de manter o português como língua de comunicação
internacional». E mesmo pela «internacionalização da economia portuguesa» e pelo
nosso crescimento económico. O ministro manifestou a sua convicção de que Maria
José Stock «é a pessoa certa no lugar certo para corporizar estes desafios. O
seu percurso académico e profissional na área das ciências sociais e da gestão
de equipamentos culturais são outras tantas garantias de um trabalho sério,
responsável e imaginativo, qualidades essenciais numa circunstância de recursos
finitos», assim sabendo «encontrar a forma e a dinâmica que todos desejamos e
sobretudo esperamos do nosso principal veículo de afirmação cultural externa que
é o Instituto Camões». E concluiu, afirmando: «O novo Instituto Camões, que hoje
começamos a desenhar, necessita de recursos, mas tem que saber adequar as suas
exigências aos meios existentes. Será porventura necessário reformular orgânicas
e mecanismos de decisão, criando ou reforçando interfaces institucionais e
pragmáticas com os Ministérios da Cultura e também da Educação e da Economia.
Tem que haver consonância entre a acção diplomática portuguesa e as autoridades
do Instituto Camões o que, até agora, nem sempre sucedeu».

A cerimónia terminou com a empossada, que substitui no cargo Jorge Couto, a
agradecer a confiança nela depositada e considerar haver três dimensões
fundamentais no seu novo cargo («a investigação, a comunicação e a divulgação»)
«extremamente associadas ao exercício da actividade docente». Quanto ao mais
disse, como já havia feito ao JL, que só poderá pronunciar-se «quando conhecer a
fundo os projectos».

 

Quem Tutela o Ensino do Português no Estrangeiro?


O deputado socialista Carlos Luís criticou a abertura do ano escolar nas comunidades portuguesas, lembrando que o que se passa no estrangeiro "só é comparável em países terceiro mundistas". O deputado salienta ainda os "milhares de alunos sem aulas, professores sem colocação e coordenações de ensino sem instruções por parte do Governo para contratarem professores".

Para Carlos Luís, o Governo também não se entende no que diz respeito à tutela do ensino do português no estrangeiro. "A fazer fé em declarações de governantes, e de alguns deputados (do PSD), dá a impressão de que às segundas a tutela pertence ao Ministério da Educação, às quartas ao Instituto Camões e às sextas ao secretário de Estado José Cesário. Ninguém se entende!", refere.

Recordando as afirmações do secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, na Assembleia da República em Junho, de que o ensino do português no estrangeiro iria ter "alterações sérias", nomeadamente na articulação entre entidades responsáveis, o que já está a acontecer, segundo o governante, Carlos Luís conclui que "os factos demonstram o contrário".

O deputado socialista, que acusa ainda o primeiro-ministro, Durão Barroso, e o secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, de terem feito na campanha eleitoral promessas "que antecipadamente sabiam que não iam cumprir", acrescenta que a educação nunca foi uma prioridade para o Partido Social Democrata (PSD).

(c) PNN - agencianoticias.com

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França Sem Aulas de Português

http://semanal.expresso.pt/pais/artigos/interior.asp?edicao=
1558&id_artigo=ES69951

O ENSINO do português em França, onde existe o maior numero de alunos em toda a Europa, está suspenso. Um diferendo entre o Ministério da Educação e os serviços de coordenação em Paris impediu que o ano lectivo arrancasse, esta semana, com os professores colocados nas escolas. O Ministério garante que o assunto "ficará resolvido até ao final do mês" altura em que "serão distribuídos os horários". Os responsáveis em França culpam as autoridades de Lisboa.
O ano lectivo iniciou-se em França na passada segunda-feira. Sem os professores de português colocados, a suspensão das aulas foi inevitável e atingiu diversos tipos e níveis de ensino - designadamente os cursos de "língua e cultura de origem" e os "integrados".
Estes últimos têm sido apresentados como a grande aposta estratégica de Portugal para França porque a língua portuguesa passaria a fazer parte do currículo normal escolar francês, no quadro de uma reforma do sistema do ensino de línguas estrangeiras lançada pelo ex-ministro da educação, o socialista Jack Lang. Com os cursos "integrados", o português passou pela primeira vez a fazer parte do leque de línguas estrangeiras que oficialmente podem ser estudadas desde a escola primária nas escolas francesas.
O atraso na resposta de Lisboa apanhou de surpresa os diplomatas portugueses em França e a própria Coordenação-Geral do Ensino do Português naquele país, que ainda há poucos meses não se cansavam de anunciar "grandes novidades" para o ensino do português naquele país.
A suspensão dos cursos provocou ainda protestos de diversos directores de escolas francesas para onde estava previsto o início das aulas de português a dois de Setembro, bem como de pais de alunos e de dirigentes sindicais ligados ao sector. "Uma das consequências do não início dos cursos poderá ser uma ainda maior diminuição do número de alunos de português, que todos os anos tem vindo a baixar em França", disse ao EXPRESSO uma fonte diplomática que pediu o anonimato.
A responsabilidade pelo não arranque dos cursos é inteiramente atribuída ao governo português e designadamente ao NEPE - Núcleo do Ensino do Português no Estrangeiro - que funciona na Secretaria de Estado da Administração Educativa. O Ministério da Educação, porém, nega responsabilidades. Segundo a assessora de imprensa "o processo está concluído, faltando apenas a distribuição de horários e a contratação local de alguns professores", tarefas que, segundo a mesma fonte, competem às autoridades sediadas em França.
De acordo com informações recolhidas pelo EXPRESSO em Paris, a Coordenação-Geral do Ensino do Português em França, dirigida pela escritora Maria Isabel Barreno, enviou em Março para Portugal as propostas de rede de cursos e de colocação de professores, mas a homologação ainda não tinha chegado até ontem, sexta-feira, à capital francesa.
17 mil alunos
No ano passado, estudavam português em França um pouco mais de 17 mil alunos. De acordo com informações da Coordenação do Ensino, a tendência aponta para a diminuição da procura nos cursos de "língua e cultura de origem" (vistos depreciativamente como sendo aulas para filhos de imigrantes) e para o aumento do interesse pelos cursos "integrados".
Recentemente, o ministro português dos Negócios Estrangeiros, Martins da Cruz, pediu ao Governo francês para ser este a assumir as despesas - nomeadamente o pagamento dos salários aos professores - com o ensino da língua portuguesa nas escolas francesas. O argumento do ministro português era de que em Portugal não é a França que paga aos professores de francês, mas sim o Ministério português da Educação.
No seguimento desta proposta, os dois governos encetaram negociações e Portugal assumiu pagar durante um período de transição as despesas com os professores dos cursos "integrados" - considerados a melhor solução para o futuro da língua portuguesa em França por apontarem para a saída da nossa língua do "gueto imigrante" em que se encontrava.
Em contrapartida, o ministério francês da Educação comprometeu-se a lançar de imediato a formação de professores de português para estes cursos. A França passaria a pagar a totalidade das despesas com estes cursos quando conseguisse ter professores de português, com formação adequada, em número suficiente.

 

Instituto Camões corta no correio

http://semanal.expresso.pt/primeira/ultimas/default.asp?edicao=1558#ES69996
A DELEGAÇÃO em Paris do Instituto Camões informou ontem, em carta assinada pelo seu director, o poeta Nuno Júdice, que "devido a severas restrições orçamentais" vai reduzir o envio de convites pelo correio. O Instituto deixará de emitir comunicados, limitando-se a divulgá-los num boletim que publica três vezes por ano. Cortes orçamentais atingem igualmente o ensino do português em França. (País)

Instituto Camões assume ensino do Português no estrangeiro

O ensino do Português no estrangeiro vai passar para a
dependência do Instituto Camões (IC) e do Ministério dos Negócios Estrangeiros
(MNE). A confirmação foi feita esta segunda-feira pelo ministro da Educação,
David Justino, a uma delegação do Conselho Permanente das Comunidades
Portuguesas (CPCP), liderada pelo seu presidente, José Machado.

O preenchimento dos quadros de professores será feito prioritariamente com
recurso a universitários de origem portuguesa, sendo as vagas remanescentes
submetidas a destacamento de docentes, disse o ministro da Educação a José
Machado. O presidente do CPCP disse à Lusa que «como o MNE não tem em princípio
vocação para se encarregar de assuntos relacionados com a organização de cursos
e enquadramento de professores, estas questões ficarão a cargo do Instituto
Camões, que será remodelado».

Na opinião de José Machado, «tratou-se de uma excelente reunião»,
acrescentando que a passagem do ensino do Português para o âmbito do MNE
«facilita a definição de uma nova política estratégica internacional, permitindo
uma estratégia comum para a lusofonia, dentro da Comunidade de Países de Língua
Portuguesa (CPLP), à semelhança do que já acontece com a francofonia e
hispanofonia». David Justino, segundo o responsável do CPCP, admitiu ainda a
necessidade de «fazer face a poderosos lóbis instalados», luta para a qual o
«CPCP está disposto a ajudar», garante o responsável do Conselho das
Comunidades.

A delegação do CPCP, também integrada por Justino Costa (França), Manuel
de Melo (Suíça) e Fernando Pinhal (Espanha), encontrou-se também com a
responsável das Relações Internacionais do Ministério da Cultura (MC), Patrícia
Salvação Barreto, com quem debateu questões de apoio à língua e cultura
portuguesa, projectos associativos e regulamentação sobre subsídios.

Os responsáveis do CPCP iniciam esta terça-feira dois dias de contactos
com os partidos parlamentares para discutir a revisão da lei 48/96, que criou o
Conselho das Comunidades e tentar resolver o impasse em que se encontra aquele
órgão de aconselhamento do governo em matéria de emigração desde a suspensão do
processo que deveria conduzir às eleições, previstas para 25 de Novembro do ano
passado.

 

Temas:
Ensino: ME disponível para transferir tutela ensino do português no estrangeiro

Lisboa, 15 Mai (Lusa) - O ministro David Justino afirmou hoje que "o
Ministério da Educação está disposto a +largar+ algumas das suas
competências" se se considerar benéfico transferir a tutela do ensino do
português no estrangeiro para o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Numa reunião da Comissão Parlamentar da Educação, o ministro deixou hoje claro
que não se vai opor à proposta de serem o Instituto Camões e a secretaria de
Estado das Comunidades, sob a alçada do Ministério dos Negócios Estrangeiros, a
nova tutela do ensino do português no estrangeiro.

O titular da pasta da Educação esclareceu que o assunto ainda está em estudo e
na fase de contactar as partes interessadas, e só "dentro de alguns
meses" haverá uma decisão.

No entanto, garantiu que "se essa solução tiver valor acrescentado para o
país, é isso que interessa", pelo que o Ministério da Educação vai
contribuir para que o Instituto Camões concretize essa política.

Para David Justino, é importante existir uma única instituição de "difusão
da língua e cultura portuguesa no estrangeiro".

O ministro da Educação falava depois de interpelado pela deputada Luísa
Mesquita, do PCP, e pelo deputado António Braga, do PS, que pretendiam saber ao
certo o que é que vai acontecer ao ensino do português no estrangeiro.

A questão iniciou-se no passado mês de Abril, quando o deputado social-democrata
Eduardo Moreira, eleito pelo círculo Fora da Europa, anunciou que o secretário
de Estado das Comunidades, José Cesário, estaria a tomar iniciativas para
concretizar a transferência de competências em matéria de ensino de português no
estrangeiro.

A medida, ainda não decidida segundo David Justino, tem provocado apreensão
junto das comunidades portuguesas radicadas no estrangeiro e recebido várias
críticas, quer de deputados, quer do Sindicato dos Professores no Estrangeiro,
quer dos responsáveis pelas escolas portuguesas no estrangeiro.

MCL/LA Lusa/fim

 

 

 

 

Lisboa 07 de Maio de 2002 Diário de Notícias

O Instituto Camões tem nova presidente. Ministro Martins da Cruz, ao empossar
Maria José Stock no cargo, definiu como linha mestra de acção o potenciar de
sinergias em áreas complementares e fez críticas à presidência anterior
O Instituto Camões (IC) não deve continuar "praticamente ausente" de
"ofertas conjuntas" dos Negócios Estrangeiros, Cultura e Economia, das
quais os Perfis de Portugal, organizados em Madrid desde 2000, "são um
exemplo feliz e sobretudo eficaz", segundo Martins da Cruz, ministro dos
Negócios Estrangeiros (MNE) e ex-embaixador na capital espanhola.

Martins da Cruz falava ontem, nas Necessidades, ao empossar a socióloga Maria
José Stock como presidente do IC. Tais considerações, feitas embora no termo da
intervenção ministerial, constituiriam o last but not the least do discurso, na
sua crítica explícita ao exercício anterior do cargo pelo historiador Jorge
Couto.

Crítica complementar àquela introduziu-a o MNE na defesa da "consonância
entre a acção diplomática portuguesa e as autoridades do Instituto Camões, o
que, até agora, nem sempre sucedeu".

Enfatizando a necessidade de recursos - porque "a aposta na cultura é
também uma aposta no crescimento económico" -, sem prejuízo de adequar
exigências aos meios existentes, o ministro pôs a tónica da acção a desenvolver
no referido potenciar de sinergias. Uma conjugação de esforços que passa pela
necessidade de "reformular orgânicas e mecanismos de decisão, criando ou
reforçando interfaces institucionais e pragmáticas com os ministérios da Cultura
e também da Educação e da Economia", na qual, segundo Braga da Cruz, o IC
"surgirá como "torre de controlo" que procurará harmonizar e dar
coerência ao conjunto das nossas acções culturais com dimensão externa",
para optimizar "a gestão da política cultural externa, por forma a melhor
promover e afirmar a língua portuguesa no mundo". A presença do ministro da
Cultura Pedro Roseta foi assinalada pelo MNE a título "ilustrativo" do
modus operandi a seguir em política cultural no exterior.

Persuadido de que Maria José Stock "é a pessoa certa no lugar certo para
corporizar" desafios como os mencionados, o MNE confia-lhe a definição da
"forma" e da "dinâmica" esperada do "principal veículo
de afirmação cultural externa", que é o IC, com raio de actuação nos cinco
continentes e competências que vão da gestão da rede de centros de língua
portuguesa, leitorados e cátedras à superintendência de centros culturais, da
preparação e negociação de acordos culturais à concessão de apoio financeiro e
bolsas de estudo e à promoção e apoio à produção de obras portuguesas no
estrangeiro.

Aos jornalistas, a nova presidente do IC anunciou intenção de iniciar alguns
projectos, escusando-se, porém, a revelá-los, enquanto acentuava a prioridade de
"desenvolver e galvanizar a língua e a cultura portuguesas", no
sentido de colocar o português - a sexta língua materna mais falada no mundo e a
terceira europeia, depois do castelhano e do inglês, embora via Brasil e PALOP -
num lugar "primordial e fundamental", enquanto "primeiro
passo" na ocupação dum espaço cultural.

Da obra legada a Maria José Stock pelo seu antecessor - que admitiu à Lusa, em
entrevista recente, ter ainda deixado "muito por fazer" -, destaca-se
a criação, de raiz, de 21 centros de língua portuguesa em 17 países.

 

 

 

 

 

 

 

 

Entrevista da Presidente
do Instituto Camões

Maria José de Souza Dias Fernández Stock




Instituto Camões e Centros Brasileiros organizam acções conjuntas