Cria procedimentos para a colocação
de docentes do ensino do português no estrangeiro no quadriénio
de 2002-2006
Decreto-Lei
n.º 176/2002
de 31 de Julho
NÚMERO : 175 SÉRIE I-A
EMISSOR : Ministério da Educação
DIPLOMA/ACTO : Decreto-Lei n.º 176/2002 (Rectificações)
SUMÁRIO:
PÁGINAS DO DR : 5567 a 5569
Uma
aposta maior na afirmação da língua e da cultura
portuguesas no estrangeiro, enquanto factor determinante de reforço
dos elos de ligação a Portugal das comunidades portuguesas
e, em particular, dos luso-descendentes, bem como de promoção
da identidade nacional face à globalização, constitui
um objectivo relevante da política externa do XV Governo Constitucional.
Essa aposta acrescida reclama a atribuição ao Ministério
dos Negócios Estrangeiros das competências necessárias
para assegurar uma mais estreita coordenação e convergência
das políticas culturais promovidas pelos diferentes departamentos
governamentais, com vista à gestão mais eficaz dessas
políticas no exterior.
A política do ensino do português no estrangeiro, a cargo
do Ministério da Educação, é um instrumento
privilegiado da promoção da língua e da cultura
portuguesas. A revisão de todo o enquadramento jurídico
desta política revela-se hoje imprescindível, não
apenas para acolher aquele objectivo de atribuição ao
Ministério dos Negócios Estrangeiros da maior coordenação
das políticas de promoção externa da língua
e da cultura portuguesas mas igualmente para adaptar as características
do ensino português no estrangeiro às suas exigências
e desafios actuais e às expectativas dos seus destinatários.
Importa reconhecer que se alteraram as motivações que
estiveram na base da institucionalização, em 1977, dos
ainda hoje denominados "cursos de língua e cultura portuguesa".
Na verdade, a perspectiva de ensino/aprendizagem do português
já não é apenas a da língua materna, a qual
visa a manutenção dos laços à língua
e à cultura de origem e assegurar as condições
para o retorno das várias gerações de emigrantes
e dos seus descendentes. A integração dos luso-descendentes
nas sociedades de acolhimento, a que se assiste hoje de forma patente,
impõe a redefinição dos objectivos iniciais, conjugando
a vertente do ensino da língua materna com uma estratégia
de promoção do português como língua estrangeira.
O ensino do português no estrangeiro, enquanto modalidade especial
de educação escolar, envolve na actualidade um conjunto
de situações diferenciadas, das quais se destaca não
apenas o ensino da língua e cultura portuguesas aos portugueses
emigrados e aos luso-descendentes mas também o ensino da língua
e cultura portuguesas em cursos integrados nos países de acolhimento
das comunidades portuguesas, o ensino do português nos países
africanos de língua oficial portuguesa e em Timor, o ensino do
português em determinadas áreas estratégicas, como
os países de expressão castelhana do Mercosul e alguns
países da África subsariana, bem como as necessidades
de ensino do português inerentes ao facto de este ser língua
oficial da União Europeia.
Neste contexto, torna-se necessário definir um novo enquadramento
global e estratégico do ensino do português no estrangeiro,
destacando-se a exigência de elaboração de um "quadro
de referência" para os conteúdos desse ensino que
tome em consideração as orientações para
o ensino/aprendizagem das línguas, nomeadamente as do Conselho
da Europa, mantendo, no entanto, a abordagem de temas socioculturais
do universo da língua e da cultura portuguesas, e que assegure
a possibilidade de certificação das aprendizagens.
No âmbito do referido novo enquadramento global e estratégico
do ensino do português no estrangeiro, insere-se também,
naturalmente, a revisão do regime jurídico dos docentes
a quem incumbe este ensino, actualmente constante do Decreto-Lei n.º
13/98, de 24 de Janeiro, e do Decreto Regulamentar n.º 4-A/98,
de 6 de Abril, regime este que se caracteriza, para além da possibilidade
de contratação local de docentes, pela colocação
dos professores em regime de destacamento, mediante concurso, por períodos
de quatro anos.
No entanto, antes mesmo da revisão mais ampla deste regime, em
termos coerentes com o novo enquadramento global e estratégico
do ensino do português no estrangeiro, revela-se imprescindível
nele introduzir, desde já, algumas alterações de
carácter intercalar. Estas alterações visam, no
essencial, permitir, sem prejuízo da estabilidade requerida pelo
destacamento de professores no estrangeiro, a flexibilidade quanto ao
âmbito geográfico dessas colocações, o que
é necessário para garantir a adaptação do
regime actual ao modelo de organização do ensino do português
no estrangeiro que vier a ser definido. Este é o objecto do presente
diploma.
Foram observados os procedimentos decorrentes da Lei n.º 23/98,
de 26 de Maio.
Assim:
No desenvolvimento do regime jurídico estabelecido no artigo
22.º e nas alíneas c) e i) do n.º 1 do artigo 59.º
da Lei n.º 46/86, de 14 de Outubro, na redacção que
lhe foi dada pela Lei n.º 115/97, de 19 de Setembro, e nos termos
da alínea c) do n.º 1 do artigo 198.º da Constituição,
o Governo decreta o seguinte:
Artigo 1.º
Objecto
1 - O presente diploma tem por objecto o processo de colocação
de docentes da educação pré-escolar e dos ensinos
básico e secundário para o preenchimento dos lugares do
ensino do português no estrangeiro nos termos do concurso aberto
pelo aviso n.º 4365/2002 (2.ª série), publicado no
Diário da República, 2.ª série, de 28 de Março
de 2002.
2 - O preenchimento dos lugares referidos no número anterior
obedece às regras estatuídas no presente diploma e, em
tudo o que não lhes for contrário, aos termos do referido
aviso n.º 4365/2002 e ao disposto no Decreto-Lei n.º 13/98,
de 24 de Janeiro, e no Decreto Regulamentar n.º 4-A/98, de 6 de
Abril.
Artigo 2.º
Preenchimento de lugares
1 - O preenchimento dos lugares referidos no n.º 1 do artigo anterior
é feito por docentes que se encontrem em alguma das seguintes
situações e aceitem ocupar os mesmos:
a) Professores colocados no concurso para o preenchimento desses lugares,
prestando ou não serviço docente no estrangeiro à
data da entrada em vigor do presente diploma, em regime de destacamento;
b) Professores a recrutar mediante contratação local.
2 - Os lugares são preenchidos de acordo com as prioridades seguintes:
a) Primeira prioridade - professores referidos na alínea a) do
número anterior;
b) Segunda prioridade - professores que, sendo candidatos ao concurso
e, por qualquer razão, não tendo sido colocados, prestem,
à data da entrada em vigor deste diploma, serviço docente
no estrangeiro, em regime de destacamento, e aceitem a prorrogação
ou renovação dos seus destacamentos;
c) Terceira prioridade - professores referidos na alínea b) do
número anterior.
Artigo 3.º
Período de preenchimento dos lugares
1 - O preenchimento dos lugares referidos na alínea a) do n.º
2 do artigo anterior é feito pelo período correspondente
aos anos lectivos de 2002 a 2006, mas considerando o disposto nos números
seguintes.
2 - De acordo com o reordenamento da rede de ofertas do ensino do português
no estrangeiro a que haja lugar, os professores não poderão
recusar ser recolocados em lugares diferentes dos da primeira colocação,
desde que em países de língua idêntica à
dos países onde forem inicialmente colocados.
3 - A recolocação será feita de acordo com as listas
graduadas do concurso e, havendo aí disponibilidade de lugares,
dentro do país da primeira colocação.
Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 12 de Junho de 2002. -
José Manuel Durão Barroso - Maria Manuela Dias Ferreira
Leite - António Manuel de Mendonça Martins da Cruz - José
David Gomes Justino.
Promulgado em 15 de Julho de 2002.
Publique-se.
O Presidente da República, JORGE SAMPAIO.
Referendado em 19 de Julho de 2002.
O Primeiro-Ministro, José Manuel Durão Barroso.
Aposta
no crescimento económico através da cultura
Lisboa,
6 de Maio de 2002 (Lusa) - Um novo Instituto Camões começou
hoje a ser "desenhado" com algumas inovações que
passam pela aproximação entre os
ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Cultura e por
uma aposta no
crescimento económico através da cultura. Estas
ideias foram defendidas em Lisboa pelo ministro dos Negócios
Estrangeiros e das Comunidades Portuguesas, Martins da Cruz, durante a
cerimónia de tomada de posse da nova presidente do Instituto Camões,
Maria José Stock. Falando
na cerimónia, que teve lugar no Palácio das Necessidades,
Martins da Cruz começou por assinalar a presença do ministro
da Cultura, Pedro Roseta, como ilustrativa da forma como vai ser
delineada a política cultural externa em em estreita articulação
e colaboração entre o Ministério dos Negócios
Estrangeiros (MNE), o Ministério da Cultura e ainda o Ministério
da Educação.
O ministro salientou
que este objectivo de criar sinergias entre os diversos departamentos
ministeriais visa optimizar a gestão da política cultural
externa para melhor promover e afirmar a língua e cultura
portuguesa no mundo. Martins
da Cruz sublinhou a internacionalização da economia nacional
como um dos factores que estimulam o interesse pela língua portuguesa
e por isso - defendeu - a aposta na cultura é também
uma aposta no crescimento económico dado que a economia do século
XXI será dominada pelas indústrias culturais, designadamente
pelos conteúdos.
Adiantou ainda
alguns dos projectos que pretende desenvolver como o desafio estimulante
de apoiar Timor-Leste, a primeira nação independente
do século XXI, na sua decisão de adoptar a língua
portuguesa como língua oficial do futuro estado.
Deveremos igualmente
explorar e penetrar no mercado hispânico, avançou, sustentando
que o número de hispano-falantes a querer aprender português
está a aumentar, em virtude não só da integração
regional sul-americana, mas também devido a uma maior aproximação
à Europa. Por
isso, Martins da Cruz preconiza a necessidade de estar à altura
de responder a esta procura e explorar parcerias com o Brasil. Algumas
críticas ao anterior governo ficaram no ar durante o discurso do
novo
ministro que recordou que na interacção havida entre
os Ministérios dos
Negócios Estrangeiros, da Cultura e da Economia, através
do ICEP, o Instituto
Camões esteve praticamente ausente, uma situação
que a seu ver importa não
repetir. Uma
outra crítica foi no sentido da necessidade de consonância
entre a acção diplomática portuguesa e as autoridades
do Instituto Camões, o que nem sempre sucedeu. Mas
Martins da Cruz fez referência também a outros projectos
já em desenvolvimento e que devem ser desenvolvidos como a consolidação
e expansão dos
falantes de português nos PALOP, que deve permanecer um objectivo
permanente. No
entanto, a afirmação da língua e cultura portuguesas
não deve passar só pelo crescimento das populações
que falam português, mas também pela capacidade de
manter o português como língua de comunicação
internacional, defendeu.
Martins da Cruz
fez também questão de salientar que o raio de
actuação do Instituto Camões são os cinco
continentes e que as suas
competências envolvem diversas actividades como superintendência
dos Centros Culturais, concessão de apoio financeiro e bolsas de
estudo ou promoção e apoio à produção
de obras portuguesas no estrangeiro. O
ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou, falando aos jornalistas,
estar em
conversações com o ministério da Educação
com vista a desenvolver uma melhor articulação
entre os consulados e os professores de português no estrangeiro.
O
objectivo é chegar melhor aos filhos de portugueses a viver
no
estrangeiro que querem aprender a língua, afirmou, reconhecendo,
porém,
que ainda não existe "o desenho final" deste projecto.
A
nova presidente do IC, Maria José Stock, garantiu, por sua vez,
que irá
iniciar alguns projectos novos, embora não tenha querido avançar
quais. Defendeu,
no entanto, que numa perspectiva global a prioridade será sempre
desenvolver e galvanizar a língua e cultura portuguesas e fazer
com
que o português ocupe um lugar primordial e fundamental.
AL/JCD Lusa/Fim
Linda-a-Velha § 15 de Maio de 2002
Ministro define objectivos
«É nosso objectivo criar sinergias entre os diversos departamentos
ministeriais,
optimizando a gestão da política cultural externa por forma
a melhor promover e
afirmar a língua e cultura portuguesa no mundo. Nesta conjugação
de esforços o
Instituto Camões surgirá como a 'torre de controlo' que
procurará harmonizar e
dar coerência ao conjunto das nossas acções culturais
com dimensão externa»,
disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, ao dar posse, no passado
dia 6, à
nova presidente daquele instituto, Maria José Stock, 54 anos, profª
associada de
Sociologia da Universidade de Évora (ler último JL).
Aproveitando a cerimónia para definir linhas essenciais do que
defende neste
domínio e para a instituição que tutela, Martins
Cruz acrescentou: «Entendo que
hoje em dia a política cultural externa deve cumprir a dupla função
de, por um
lado, preservar e promover a nossa identidade nacional, reforçando
a ligação
entre todos os que falam português no mundo, e, por outro, ser um
dos
instrumentos da nossa política externa, contribuindo assim para
um novo recorte
na afirmação de Portugal.»
Na presença também do ministro da Cultura, Pedro Roseta
- presença sublinhada
pelo seu colega de Governo -, o anterior embaixador de Portugal em Madrid
lembrou que «o Instituto Camões estende hoje em dia a sua
actividade pelos cinco
continentes, do Chile à Austrália e dos Estados Unidos à
Rússia». Mas, opinou,
«se o propósito é louvável, talvez seja útil
recentrar a sua acção e conceber
estratégias próprias para cada local, obedecendo a acções
integradas. Os
desafios e necessidades com que nos deparamos na África do Sul
não são
equivalentes aos do Uruguai. A dispersão pode confortar as estatísticas,
mas a
qualidade deve primar sobre a quantidade».
Martins da Cruz salientou que «a consolidação e expansão
dos falantes de
português nos PALOPS deve permanecer um objectivo permanente. Para
tal importa
actuar em colaboração com a Comunidade dos Países
de Língua Oficial Portuguesa,
onde assinale-se, entrou já em funcionamento o Instituto de Língua
Portuguesa,
com sede na cidade da Praia». E prosseguiu: «Neste âmbito
aguarda-nos um desafio
estimulante que é o de apoiar Timor Leste, a primeira nação
independente do
século XXI, na sua decisão de adoptar a língua portuguesa
como língua oficial do
futuro Estado. No restante continente asiático, nomeadamente em
Macau, deverá
ser mantida uma estreita articulação com o Instituto Português
do Oriente».
Outra vertente que o ministro dos Negócios Estrangeiro enfatizou
foi a
necessidade de «explorar e penetrar no mercado hispânico».
«O número de
hispano-falantes a querer aprender português está a aumentar,
em virtude do
processo de integração regional sul-americana, mas também
devido a uma maior
aproximação à Europa. Temos de estar à altura
de responder a esta procura e
explorar parcerias como Brasil».
Quanto à «promoção da. língua e da
cultura deve, igualmente, procurar interfaces
com o exterior, com a sociedade civil», e «o nosso compromisso
com as
Comunidades Portuguesas obriga-nos a manter uma presença significativa
nos
diversos países de acolhimento». «Todavia - sempre
segundo Martins da Cruz -
importa reter que a afirmação da língua e da cultura
portuguesas não passa
somente pelo crescimento das populações que falam português.
Passará também pela
capacidade que tivermos de manter o português como língua
de comunicação
internacional». E mesmo pela «internacionalização
da economia portuguesa» e pelo
nosso crescimento económico. O ministro manifestou a sua convicção
de que Maria
José Stock «é a pessoa certa no lugar certo para corporizar
estes desafios. O
seu percurso académico e profissional na área das ciências
sociais e da gestão
de equipamentos culturais são outras tantas garantias de um trabalho
sério,
responsável e imaginativo, qualidades essenciais numa circunstância
de recursos
finitos», assim sabendo «encontrar a forma e a dinâmica
que todos desejamos e
sobretudo esperamos do nosso principal veículo de afirmação
cultural externa que
é o Instituto Camões». E concluiu, afirmando: «O
novo Instituto Camões, que hoje
começamos a desenhar, necessita de recursos, mas tem que saber
adequar as suas
exigências aos meios existentes. Será porventura necessário
reformular orgânicas
e mecanismos de decisão, criando ou reforçando interfaces
institucionais e
pragmáticas com os Ministérios da Cultura e também
da Educação e da Economia.
Tem que haver consonância entre a acção diplomática
portuguesa e as autoridades
do Instituto Camões o que, até agora, nem sempre sucedeu».
A cerimónia terminou com a empossada, que substitui no cargo Jorge
Couto, a
agradecer a confiança nela depositada e considerar haver três
dimensões
fundamentais no seu novo cargo («a investigação, a
comunicação e a divulgação»)
«extremamente associadas ao exercício da actividade docente».
Quanto ao mais
disse, como já havia feito ao JL, que só poderá pronunciar-se
«quando conhecer a
fundo os projectos».
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Quem
Tutela o Ensino do Português no Estrangeiro?
O deputado socialista Carlos Luís criticou a abertura do ano escolar
nas comunidades portuguesas, lembrando que o que se passa no estrangeiro
"só é comparável em países terceiro mundistas".
O deputado salienta ainda os "milhares de alunos sem aulas, professores
sem colocação e coordenações de ensino sem
instruções por parte do Governo para contratarem professores".
Para Carlos Luís, o Governo também não se entende
no que diz respeito à tutela do ensino do português no estrangeiro.
"A fazer fé em declarações de governantes, e
de alguns deputados (do PSD), dá a impressão de que às
segundas a tutela pertence ao Ministério da Educação,
às quartas ao Instituto Camões e às sextas ao secretário
de Estado José Cesário. Ninguém se entende!",
refere.
Recordando as afirmações do secretário de Estado
das Comunidades, José Cesário, na Assembleia da República
em Junho, de que o ensino do português no estrangeiro iria ter "alterações
sérias", nomeadamente na articulação entre entidades
responsáveis, o que já está a acontecer, segundo
o governante, Carlos Luís conclui que "os factos demonstram
o contrário".
O deputado socialista, que acusa ainda o primeiro-ministro, Durão
Barroso, e o secretário de Estado das Comunidades, José
Cesário, de terem feito na campanha eleitoral promessas "que
antecipadamente sabiam que não iam cumprir", acrescenta que
a educação nunca foi uma prioridade para o Partido Social
Democrata (PSD).
(c) PNN - agencianoticias.com
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França
Sem Aulas de Português
http://semanal.expresso.pt/pais/artigos/interior.asp?edicao=
1558&id_artigo=ES69951
O ENSINO do
português em França, onde existe o maior numero de alunos
em toda a Europa, está suspenso. Um diferendo entre o Ministério
da Educação e os serviços de coordenação
em Paris impediu que o ano lectivo arrancasse, esta semana, com os professores
colocados nas escolas. O Ministério garante que o assunto "ficará
resolvido até ao final do mês" altura em que "serão
distribuídos os horários". Os responsáveis em
França culpam as autoridades de Lisboa.
O ano lectivo iniciou-se em França na passada segunda-feira. Sem
os professores de português colocados, a suspensão das aulas
foi inevitável e atingiu diversos tipos e níveis de ensino
- designadamente os cursos de "língua e cultura de origem"
e os "integrados".
Estes últimos têm sido apresentados como a grande aposta
estratégica de Portugal para França porque a língua
portuguesa passaria a fazer parte do currículo normal escolar francês,
no quadro de uma reforma do sistema do ensino de línguas estrangeiras
lançada pelo ex-ministro da educação, o socialista
Jack Lang. Com os cursos "integrados", o português passou
pela primeira vez a fazer parte do leque de línguas estrangeiras
que oficialmente podem ser estudadas desde a escola primária nas
escolas francesas.
O atraso na resposta de Lisboa apanhou de surpresa os diplomatas portugueses
em França e a própria Coordenação-Geral do
Ensino do Português naquele país, que ainda há poucos
meses não se cansavam de anunciar "grandes novidades"
para o ensino do português naquele país.
A suspensão dos cursos provocou ainda protestos de diversos directores
de escolas francesas para onde estava previsto o início das aulas
de português a dois de Setembro, bem como de pais de alunos e de
dirigentes sindicais ligados ao sector. "Uma das consequências
do não início dos cursos poderá ser uma ainda maior
diminuição do número de alunos de português,
que todos os anos tem vindo a baixar em França", disse ao
EXPRESSO uma fonte diplomática que pediu o anonimato.
A responsabilidade pelo não arranque dos cursos é inteiramente
atribuída ao governo português e designadamente ao NEPE -
Núcleo do Ensino do Português no Estrangeiro - que funciona
na Secretaria de Estado da Administração Educativa. O Ministério
da Educação, porém, nega responsabilidades. Segundo
a assessora de imprensa "o processo está concluído,
faltando apenas a distribuição de horários e a contratação
local de alguns professores", tarefas que, segundo a mesma fonte,
competem às autoridades sediadas em França.
De acordo com informações recolhidas pelo EXPRESSO em Paris,
a Coordenação-Geral do Ensino do Português em França,
dirigida pela escritora Maria Isabel Barreno, enviou em Março para
Portugal as propostas de rede de cursos e de colocação de
professores, mas a homologação ainda não tinha chegado
até ontem, sexta-feira, à capital francesa.
17 mil alunos
No ano passado, estudavam português em França um pouco mais
de 17 mil alunos. De acordo com informações da Coordenação
do Ensino, a tendência aponta para a diminuição da
procura nos cursos de "língua e cultura de origem" (vistos
depreciativamente como sendo aulas para filhos de imigrantes) e para o
aumento do interesse pelos cursos "integrados".
Recentemente, o ministro português dos Negócios Estrangeiros,
Martins da Cruz, pediu ao Governo francês para ser este a assumir
as despesas - nomeadamente o pagamento dos salários aos professores
- com o ensino da língua portuguesa nas escolas francesas. O argumento
do ministro português era de que em Portugal não é
a França que paga aos professores de francês, mas sim o Ministério
português da Educação.
No seguimento desta proposta, os dois governos encetaram negociações
e Portugal assumiu pagar durante um período de transição
as despesas com os professores dos cursos "integrados" - considerados
a melhor solução para o futuro da língua portuguesa
em França por apontarem para a saída da nossa língua
do "gueto imigrante" em que se encontrava.
Em contrapartida, o ministério francês da Educação
comprometeu-se a lançar de imediato a formação de
professores de português para estes cursos. A França passaria
a pagar a totalidade das despesas com estes cursos quando conseguisse
ter professores de português, com formação adequada,
em número suficiente.
Instituto
Camões corta no correio
http://semanal.expresso.pt/primeira/ultimas/default.asp?edicao=1558#ES69996
A DELEGAÇÃO
em Paris do Instituto Camões informou ontem, em carta assinada
pelo seu director, o poeta Nuno Júdice, que "devido a severas
restrições orçamentais" vai reduzir o envio
de convites pelo correio. O Instituto deixará de emitir comunicados,
limitando-se a divulgá-los num boletim que publica três vezes
por ano. Cortes orçamentais atingem igualmente o ensino do português
em França. (País)
Instituto
Camões assume ensino do Português no estrangeiro
O
ensino do Português no estrangeiro vai passar para a
dependência do Instituto Camões (IC) e do Ministério
dos Negócios Estrangeiros
(MNE). A confirmação foi feita esta segunda-feira pelo ministro
da Educação,
David Justino, a uma delegação do Conselho Permanente das
Comunidades
Portuguesas (CPCP), liderada pelo seu presidente, José Machado.
O preenchimento
dos quadros de professores será feito prioritariamente com
recurso a universitários de origem portuguesa, sendo as vagas remanescentes
submetidas a destacamento de docentes, disse o ministro da Educação
a José
Machado. O presidente do CPCP disse à Lusa que «como o MNE
não tem em princípio
vocação para se encarregar de assuntos relacionados com
a organização de cursos
e enquadramento de professores, estas questões ficarão a
cargo do Instituto
Camões, que será remodelado».
Na opinião
de José Machado, «tratou-se de uma excelente reunião»,
acrescentando que a passagem do ensino do Português para o âmbito
do MNE
«facilita a definição de uma nova política
estratégica internacional, permitindo
uma estratégia comum para a lusofonia, dentro da Comunidade de
Países de Língua
Portuguesa (CPLP), à semelhança do que já acontece
com a francofonia e
hispanofonia». David Justino, segundo o responsável do CPCP,
admitiu ainda a
necessidade de «fazer face a poderosos lóbis instalados»,
luta para a qual o
«CPCP está disposto a ajudar», garante o responsável
do Conselho das
Comunidades.
A delegação
do CPCP, também integrada por Justino Costa (França), Manuel
de Melo (Suíça) e Fernando Pinhal (Espanha), encontrou-se
também com a
responsável das Relações Internacionais do Ministério
da Cultura (MC), Patrícia
Salvação Barreto, com quem debateu questões de apoio
à língua e cultura
portuguesa, projectos associativos e regulamentação sobre
subsídios.
Os responsáveis
do CPCP iniciam esta terça-feira dois dias de contactos
com os partidos parlamentares para discutir a revisão da lei 48/96,
que criou o
Conselho das Comunidades e tentar resolver o impasse em que se encontra
aquele
órgão de aconselhamento do governo em matéria de
emigração desde a suspensão do
processo que deveria conduzir às eleições, previstas
para 25 de Novembro do ano
passado.
Temas:
Ensino: ME disponível para transferir tutela ensino do português
no estrangeiro
Lisboa, 15 Mai (Lusa) - O ministro David Justino afirmou hoje que "o
Ministério da Educação está disposto a +largar+
algumas das suas
competências" se se considerar benéfico transferir a
tutela do ensino do
português no estrangeiro para o Ministério dos Negócios
Estrangeiros.
Numa reunião da Comissão Parlamentar da Educação,
o ministro deixou hoje claro
que não se vai opor à proposta de serem o Instituto Camões
e a secretaria de
Estado das Comunidades, sob a alçada do Ministério dos Negócios
Estrangeiros, a
nova tutela do ensino do português no estrangeiro.
O titular da pasta da Educação esclareceu que o assunto
ainda está em estudo e
na fase de contactar as partes interessadas, e só "dentro
de alguns
meses" haverá uma decisão.
No entanto, garantiu que "se essa solução tiver valor
acrescentado para o
país, é isso que interessa", pelo que o Ministério
da Educação vai
contribuir para que o Instituto Camões concretize essa política.
Para David Justino, é importante existir uma única instituição
de "difusão
da língua e cultura portuguesa no estrangeiro".
O ministro da Educação falava depois de interpelado pela
deputada Luísa
Mesquita, do PCP, e pelo deputado António Braga, do PS, que pretendiam
saber ao
certo o que é que vai acontecer ao ensino do português no
estrangeiro.
A questão iniciou-se no passado mês de Abril, quando o deputado
social-democrata
Eduardo Moreira, eleito pelo círculo Fora da Europa, anunciou que
o secretário
de Estado das Comunidades, José Cesário, estaria a tomar
iniciativas para
concretizar a transferência de competências em matéria
de ensino de português no
estrangeiro.
A medida, ainda não decidida segundo David Justino, tem provocado
apreensão
junto das comunidades portuguesas radicadas no estrangeiro e recebido
várias
críticas, quer de deputados, quer do Sindicato dos Professores
no Estrangeiro,
quer dos responsáveis pelas escolas portuguesas no estrangeiro.
MCL/LA Lusa/fim
Lisboa
07 de Maio de 2002 Diário de Notícias
O
Instituto Camões tem nova presidente. Ministro Martins da Cruz,
ao empossar
Maria José Stock no cargo, definiu como linha mestra de acção
o potenciar de
sinergias em áreas complementares e fez críticas à
presidência anterior
O Instituto Camões (IC) não deve continuar "praticamente
ausente" de
"ofertas conjuntas" dos Negócios Estrangeiros, Cultura
e Economia, das
quais os Perfis de Portugal, organizados em Madrid desde 2000, "são
um
exemplo feliz e sobretudo eficaz", segundo Martins da Cruz, ministro
dos
Negócios Estrangeiros (MNE) e ex-embaixador na capital espanhola.
Martins
da Cruz falava ontem, nas Necessidades, ao empossar a socióloga
Maria
José Stock como presidente do IC. Tais considerações,
feitas embora no termo da
intervenção ministerial, constituiriam o last but not the
least do discurso, na
sua crítica explícita ao exercício anterior do cargo
pelo historiador Jorge
Couto.
Crítica
complementar àquela introduziu-a o MNE na defesa da "consonância
entre a acção diplomática portuguesa e as autoridades
do Instituto Camões, o
que, até agora, nem sempre sucedeu".
Enfatizando
a necessidade de recursos - porque "a aposta na cultura é
também uma aposta no crescimento económico" -, sem
prejuízo de adequar
exigências aos meios existentes, o ministro pôs a tónica
da acção a desenvolver
no referido potenciar de sinergias. Uma conjugação de esforços
que passa pela
necessidade de "reformular orgânicas e mecanismos de decisão,
criando ou
reforçando interfaces institucionais e pragmáticas com os
ministérios da Cultura
e também da Educação e da Economia", na qual,
segundo Braga da Cruz, o IC
"surgirá como "torre de controlo" que procurará
harmonizar e dar
coerência ao conjunto das nossas acções culturais
com dimensão externa",
para optimizar "a gestão da política cultural externa,
por forma a melhor
promover e afirmar a língua portuguesa no mundo". A presença
do ministro da
Cultura Pedro Roseta foi assinalada pelo MNE a título "ilustrativo"
do
modus operandi a seguir em política cultural no exterior.
Persuadido
de que Maria José Stock "é a pessoa certa no lugar
certo para
corporizar" desafios como os mencionados, o MNE confia-lhe a definição
da
"forma" e da "dinâmica" esperada do "principal
veículo
de afirmação cultural externa", que é o IC,
com raio de actuação nos cinco
continentes e competências que vão da gestão da rede
de centros de língua
portuguesa, leitorados e cátedras à superintendência
de centros culturais, da
preparação e negociação de acordos culturais
à concessão de apoio financeiro e
bolsas de estudo e à promoção e apoio à produção
de obras portuguesas no
estrangeiro.
Aos
jornalistas, a nova presidente do IC anunciou intenção de
iniciar alguns
projectos, escusando-se, porém, a revelá-los, enquanto acentuava
a prioridade de
"desenvolver e galvanizar a língua e a cultura portuguesas",
no
sentido de colocar o português - a sexta língua materna mais
falada no mundo e a
terceira europeia, depois do castelhano e do inglês, embora via
Brasil e PALOP -
num lugar "primordial e fundamental", enquanto "primeiro
passo" na ocupação dum espaço cultural.
Da
obra legada a Maria José Stock pelo seu antecessor - que admitiu
à Lusa, em
entrevista recente, ter ainda deixado "muito por fazer" -, destaca-se
a criação, de raiz, de 21 centros de língua portuguesa
em 17 países.
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Entrevista
da Presidente
do Instituto Camões
Maria José de Souza Dias Fernández
Stock
Instituto Camões e Centros Brasileiros organizam acções
conjuntas
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