por



Alberto Tavares

S ã o ffM i g u e l
Ilha Verde, a Mais Formosa
dos Açores






 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Bem-vindos a esta Viagem Virtual à ilha de São Miguel, a maior ilha das nove que constituem o arquipélago dos Açores, região autónoma portuguesa.

O Arquipélago dos Açores fica em pleno Oceano Atlântico, a 760 milhas marítimas de Lisboa. As nove ilhas, de origem vulcânica, com cerca de 250.000 habitantes, tem uma superfície total de 2.335 km2 e dividem-se em três grupos : o grupo Central que abarca as ilhas Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico e Faial, o grupo Oriental que inclui as ilhas de São Miguel e Santa Maria e o grupo Ocidental que engloba as ilhas de Flores e Corvo.

Os Açores têm um clima muito suave, tanto no que diz respeito à temperatura do ar como da do mar.

De acordo com vários documentos e mapas antigos, a descoberta dos Açores teve lugar entre 1317 e 1339. Mas, para o historiador Damião Peres, foi o navegador português Diogo Silves em 1427 que descobriu os Açores. A colonização começou por volta de 1439. Depois da revolução de 1974, a Constituição de Portugal conferiu aos Açores e à Madeira o estatuto de região autónoma.

Vamos então viajar por São Miguel, pelas suas paisagens com múltiplos lugares obrigatórios de visita. Das festas, tradições e das suas alegrias, vamos dar-vos conta nesta viagem virtual.

São Miguel que, pelas suas extensas florestas e pastagens é, justamente, denominada a ilha verde. Com cerca de 759 km2, São Miguel é a maior e mais povoada ilha do arquipélago.

Duas datas para a descoberta de São Miguel, fundam as hipóteses dos historiadores: 1426 e 1439. Mas, de acordo com vários documentos e mapas, a descoberta poderá ter tido lugar muito antes, em meados do século XIV. O povoamento começou por volta de 1439 com a chegada de colonos portugueses e estrangeiros, principalmente franceses. Desde logo, a situação geográfica proporcionou uma rápida expansão económica, assente na produção do trigo, cana-de-açúcar e plantas.

Passeemos então, pela ilha.

Ponta Delgada, capital de São Miguel e dos Açores é o primeiro lugar a visitar na nossa viagem virtual. Com quase três quilómetros de marginal, Ponta Delgada é um mosaico de vários estilos de arquitectura, do XVII ao XIX século. Várias igrejas de grande valor arquitectural e o interior muito decorado, museus, biblioteca com documentos importantes e históricos, várias actividades e muito mais para ver e apreciar.

A igreja mais conhecida é a do Convento e capela de Nossa Senhora da Esperança, onde se pratica o culto do Santo Cristo dos Milagres. A imagem que se encontra no interior da capela foi, segundo reza a história, uma oferta do papa Paul III às freiras do Convento de Vale de Cabaços, agora chamada Caloura. Num dos bancos do jardim do convento encontra-se assinalado, com uma âncora, o sítio onde o poeta Antero de Quental se suicidou.

A fortaleza de São Brás foi construída em 1552 e destinava-se à defesa da cidade atacada por corsários. A fortaleza foi transformada e aumentada no século XIX e é hoje utilizada como quartel militar.

As portas da cidade atraem os visitantes. Construídas no século XVIII, por lá passaram os reis Dom Pedro IV e Dom Carlos de Portugal.

O Palácio de Sant’Ana, onde actualmente é sede do Governo Regional dos Açores, é uma construção típica do século XIX. No seu interior encontra-se mobiliário dos séculos XVIII e XIX, várias pinturas que retratam a visita do rei Dom Carlos em 1901 e, também, outras esculturas em madeira e pinturas do artista Jorge Colaço.

O museu Carlos Machado foi fundado por Dr. Carlos Maria Gomes Machado e originariamente denominado Museu Açoriano, abriu as suas portas no dia 10 de Junho de 1880. No edifício que era o Liceu Nacional de Ponta Delgada, pode-se admirar colecções sobre a Natureza, pinturas, esculturas, azulejos e objectos artísticos vários de arte antiga e contemporânea.

Ponta Delgada é um concelho cpm o nome da ilha. Passeando pelas freguesias e pelos vários miradouros ao longo da costa, encontramos o sítio das Sete Cidades e o seu miradouro de onde se pode admirar a Lagoa Azul e a Lagoa Verde.

Vamos um pouco mais para Norte, para a Ribeira Grande, o seu nome deve-se a uma ribeira que a atravessa. Foi na zona da ribeira e à beira-mar que os primeiros habitantes de Ribeira Grande se estabeleceram, sendo elevada a cidade em 1981. Tem um património cultural e arquitectónico muito variado que atrai os visitantes não só pela cidade mas também por todo o concelho do mesmo nome. Este concelho tem uma actividade económica bem própria como o leite, culturas do tabaco e chá, batata e a cerâmica. Os monumentos mais antigos são quase sempre as igrejas como a igreja de Nossa Senhora da Estrela construída nos primordios de 1500. Ribeira Grande tem um museu Etnográfico, uma Casa Municipal da Cultura, com várias colecções de cerâmica e de azulejos e o Teatro Ribeiragrandense. Não é de deixar para trás o magnífico jardim e as caldeiras da Ribeira Grande.

Para quem gosta de se pôr ao sol tem uma belíssima praia, a Praia de Fogo na Ribeira Quente. A Ribeira Quente é uma pequena freguesia piscatória não muito longe das Furnas de que vamos falar um pouco mais tarde. O que atrai mais nesta praia é a temperatura da água que é tépida, dados os fenómenos vulcânicos submarino. E para os cépticos aconselhamo-os a meterem os pés de baixo da areia mesmo na água para sentirem o calor que dái emana.

Para apreciar bem as Furnas, o melhor épassar lá um dia inteiro, mesmo mais do que um. Também se pode passar bem a noite no Parque de Campismo. As Furnas são muitas conhecidas pela sua zona das Caldeiras. Estas caldeiras são, tal como na Ribeira Quente, uma prova de vulcanismo e aqui vezes mais com géiseres de água fervente. Também existem várias nascentes de águas minerais. Há águas normais mas também de diversos sabores como água amargosa e uma que tem gosto a petróleo. Para comer não é preciso procurar muito tempo um restaurante porque está tudo a beira da boca. Como entrada pode comer-se milho cozido, mesmo ali nas caldeiras. Depois temos o cozido à portuguesa que também foi cozido naturalmente com o vapor das caldeiras. As panelas de cozido são enterradas no solo com protecção de um saco. Há dias que também é possível saborear cozidos de bacalhau e mesmo caldeiradas de peixe. Como sobremesa temos o bolo lêvedo, típico das Furnas.

Para relaxar, depois da boa comida, pode passear-se pela beira da lagoa das Furnas e aproveitar a sombra das árvores. Também existe o colorido Parque Terra Nostra para apreciar flores exóticas e árvores centenárias. Para quem gosta das alturas há ainda o miradouro do Pico do Ferro de onde se pode apreciar o vale inteiro das Furnas e não muito longe o miradouro do Salto do Cavalo onde é possível ver bem as sete lombas da Povoação.

Continuamos esta viagem virtual pelo concelho da Vila Franca do Campo. Neste concelho encontra-se um conjunto de várias freguesias rurais como Água d’Alto, Ribeira Seca, Ribeira das Taínhas e Ponta Garça. Estas freguesias valem a pena ser visitadas por várias razões, como por exemplo, o Farol de Ponta Garça, onde há uma das mais interessantes vistas para o mar da ilha. Como principal sítio do concelho, Vila Franca do Campo, requer uma visita mais demorada.

Vila Franca já foi a capital de São Miguel e é, actualmente, muita visitada por várias razões. Encontra-se lá um agradável mosaico para todos os gostos, com um jardim público, várias igrejas e monumentos antigos e a sua olaria artesanal. Não se deve deixar ficar para trás as famosas e saborosas queijadas da Vila e uma visita à Praia da Vinha da Areia onde se pode agora aproveitar o recente aquaparque. Uma subida à Ermida da Senhora da Paz dá-vos uma boa panorâmica da vila. Do alto vê-se muito bem a variedade da agricultura que rodeia a Vila, mas o que sobressai mais são as estufas de ananás. Do mesmo alto, avista-se muito bem o Ilhéu. No Verão, um barco transporta passageiros para ir visitar a reserva natural que se situa no Ilhéu.

A nossa viagem termina no concelho mais pequeno da ilha: Lagoa, constituído por cinco freguesias : Água de Pau, Cabouco, Ribeira Chã, Rosário e Santa Cruz. Foi neste concelho que logo depois da descoberta da ilha se estabeleceram os primeiros habitantes. Das cinco freguesias, Água de Pau e Lagoa (que engloba Rosário e Santa Cruz ) são as mais conhecidas. Como na maioria dos sítios, a riqueza da arquitectura vem das igrejas e ermidas. Em frente da actual igreja de Santa Cruz, existiu em tempos uma lagoa, lagoa essa que deu o nome à vila. Quando se Lagoa é obrigatório visitar a Fábrica de Cerâmica onde é produzida a muito conhecida Louça da Lagoa. Aconselha-se também uma paragem no Porto da Lagoa (Porto dos Carneiros), no museu da Lagoa e do Presépio Açoriano, sem esquecer o Complexo das Piscinas Municipais que também valem a pena.

Vamos um pouco mais para leste e chegamos a Água de Pau. Os seus primeiros povoadores chegaram por volta de 1444 e por força do seu desenvolvimento significativo, foi elevada a Vila em 1515, pelo rei D. Manuel I. A vila foi a sede do concelho até 1853. Fora a rua do Pico que fica mais elevada por casa do Monte Santo, Água de Pau tem a particularidade de ser rodeada por montes e serras. Do Monte Santo temos um belíssimo panorama da vila e das terras que a rodeiam. A igreja paroquial, verdadeiro símbolo de Água de Pau, pode ser vista de toda a vila e, agora, com o relógio é também ouvida. Já em 1488 havia uma capelinha, mas em 1525 iniciaram-se as obras da igreja actual. A igreja é dedicada a Nossa Senhora dos Anjos e a sua festa realiza-se no dia 15 de Agosto. Mesmo em frente à igreja há o florido Jardim dos Anjos, vários cafés na praça, um polivalente para as crianças, um campo de futebol e muito mais coisa. O orgulho de Água de Pau passa pela Caloura. Já foi uma região com muita vinha, para o vinho de cheiro, que é quase exclusivo da Caloura. O seu porto de pesca com a sua piscina natural e a esplanada à beira-mar é considerado o mais bonito da ilha. Outro ponto de interesse da Caloura é o Convento da Caloura inspirado no devoto da imagem do Santo Cristo dos Milagres. Devido aos vários ataques dos piratas, a imagem foi transferida para Ponta Delgada. É muito raro o convento estar aberto ao público, mas eu tive a sorte de visitá-lo. O espaço interior é muito bonito e muito especial…. Para uma boa vista geral da Caloura, nada melhor do que uma subida ao miradouro do Pisão.

Acabamos, assim, a volta à ilha de São Miguel. Mas, o melhor mesmo, é ir aos Açores e conhecê-los realmente.