Cerimónia
de Passagem
de
Paula
Tavares
A zebra feriu-se na pedra
a pedra produziu lume
A rapariga provou o sangue
o sangue deu fruto
A mulher semeou o campo
o campo amadureceu o vinho
O homem bebeu o vinho
o vinho cresceu o canto
O velho começou o círculo
círculo fechou o princípio
A zebra feriu-se na pedra
a pedra produziu lume.
Em Torno da minha Baia
de
Alda
do Espírito Santo
Aqui, na areia,
Sentada à beira do cais da minha baía
do cais simbólico, dos fardos,
das malas e da chuva
caindo em torrente
sobre o cais desmantelado,
caindo em ruínas
eu queria ver à volta de mim,
nesta hora morna do entardecer
no mormaço tropical
desta terra de África
à beira do cais a desfazer-se em ruínas,
abrigados por um toldo movediço
uma legião de cabecinhas pequenas,
à roda de mim,
num voo magistral em torno do mundo
desenhando na areia
a senda de todos os destinos
pintando na grande tela da vida
uma história bela
para os homens de todas as terras
ciciando em coro, canções melodiosas
numa toada universal
num cortejo gigante de humana poesia
na mais bela de todas as lições