65 Anos de Ensino de Língua e Cultura Portuguesas na Universidade de Toronto celebrados em Simpósio
de Vitália Rodrigues
Fotos de Vitália Rodrigues, Manuela Marujo, Domingos Marques e Ana Clotilde Williams

Para o embaixador do Brasil, Piragibe Tarrago, há que fazer de uma língua antiga que é o português, uma língua, igualmente, moderna.


O reforço do português, como língua de comunicação internacional e a sua importância como língua de ciência, de arte, de tecnologia, cultura, sociedade... Este reforço será tanto maior quanto a língua de Camões estiver presente nas organizações internacionais e se tiver influência no mercado económico. A diplomacia hoje não se restringe à diplomacia política mas ela é também económica e cultural. Há que aproveitar as novas tecnologias da comunicação e informação para a difusão da língua portuguesa no mundo.


As mudanças ortográficas no Brasil, por via do Acordo Ortográfica, foram maiores do que em Portugal, lembra Evanildo Bechara. Por seu turno, Malaca Casteleiro refere que o português é a quinta língua mais falada do mundo e que se estende por uma jurisdição política de mais de dez milhões de quilómetros quadrados, o que representa a sétima parte do planeta. É, igualmente, a quinta língua em número de países (oito) e em número de utilizadores na Internet, refere o prestigiado professor, citando o estudo sobre o valor que o Português representa em termos económicos: 17% do produto Interno Bruto e 4% da riqueza mundial, em termos globais.


 


 

Com o apoio do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, dos consulados gerais de Portugal e do Brasil em Toronto, da Associação de Estudos Mulher Migrante e da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas realizou-se, nos dias 28 e 29 de setembro de 2012, o Simpósio Internacional Rosa dos Ventos: Português nos Quatro Cantos do Mundo, cujo objetivo central foi o de comemorar os 65 anos de ensino e aprendizagem da língua e cultura portuguesas na Universidade de Toronto, louvável iniciativa proposta e levada a cabo por uma das suas protagonistas, a Professora Doutora Manuela Marujo, que soube cativar figuras de proa do universo lusófono e da língua portuguesa para este importante evento do qual, muito sucintamente, damos conta.
Em primeiro lugar sublinhamos a presença da Professora Doutora Ana Paula Laborinho, Presidente do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, cuja participação atenta, empenhada e ativa deu o mote para o que se viria a discutir neste simpósio: enunciou a uma assembleia de cerca de uma centena de pessoas, os desafios de uma política de Língua Portuguesa para o mundo. É a primeira presidente do Instituto Camões a estar presente na prestigiada Universidade de Toronto.

As boas-vindas foram dadas pelo Reitor da Faculdade de Artes e Ciência da Universidade de Toronto, Meric Gertler, por Paul Gooch, Presidente do Victoria College, pelo Embaixador do Brasil no Canadá, Piragibe Tarrago, por Júlio Vilela, Cônsul-geral de Portugal em Toronto, pelo Diretor do Departamento de Espanhol e Português Josiah Blackmore (sublinhe-se o seu português de Lisboa, sem mácula e doce) e pela Diretora Adjunta do Departamento de Português da Universidade de Toronto, Manuela Marujo a quem prestamos, aqui, a nossa homenagem pelo seu trabalho.

Este simpósio contou com 5 painéis de discussão. O primeiro sobre Português, Língua Internacional, onde o prestigiado professor João Malaca Casteleiro falou da projeção mundial e do valor económico da Língua Portuguesa na era da globalização, realçando que o maior legado dos Descobrimentos Portugueses são hoje os 240 milhões de falantes de Português espalhados pelo mundo. Evanildo Bechara, da Academia de Letras do Brasil, pôs em evidência a importância da unificação ortográfica para a expansão e difusão da língua portuguesa no mundo moderno. Fê-lo com a serenidade e a sabedoria que se impõem perante a histeria à volta do Acordo Ortográfico. Por seu turno, Aida Baptista, num registo autobiográfico, descreveu com sensibilidade e autenticidade a sua experiência triangular de diferentes geografias - Finlândia, Canadá e Angola - como leitora do Icalp, primeiro e do Instituto Camões, numa narração que nos ajuda a compreender a carreira de leitor.

No segundo painel, dedicado à literatura, analisou-se, por um lado, o fascínio de Gabriela na televisão e no écran por Hudson Moura da Universidade de Ryerson e as mulheres trabalhadoras no cacau por Frank Luce da Universidade de York. A Helena Chrystello coube apresentar a Antologia Bilingue de Autores Açorianos, como forma de proporcionar às comunidades açorianas e estrangeiras, radicadas, sobretudo, no Canadá e Estados Unidos. Falou do imaginário ilhéu na obra dos escritores açorianos modernos e contemporâneos.

O terceiro painel, moderado por Rita Rolim, docente do Camões e professora na Universidade de York, versou sobre Português - Língua de Afeto, Identidade e Património. Nele a Coordenadora do Ensino Português no Canadá, Ana Paula Ribeiro, apresentou os resultados da sua ação no Canadá e falou da criação recente do European Book Club em Toronto, que existe em Montreal há mais de três anos. Promover a internacionalização e expansão da língua portuguesa, é um dos seus desafios. Maria João Dodman da Universidade de York descreveu percursos na língua portuguesa, como língua de afeto, de estudo e de trabalho. Manuela Marujo, por seu turno, viria a traçar o perfil dos estudantes de língua e cultura portuguesas na Universidade de Toronto, bem assim as motivações que os movem a fazer tais estudos.

No painel 4, destinado à discussão sobre as Novas Tecnologias e Aprendizagem do Português, participaram Luís Aguilar, docente do Camões e professor da Universidade de Montreal, que descreveu a forma como criou um ambiente virtual de aprendizagem de Português, Língua Estrangeira e Vitália Rodrigues, responsável pelas oficinas de língua portuguesa do SAC (Serviços de Atividades Culturais da Universidade de Montreal) que apresentou o manual interativo em linha na Rede, Português ComunicAtivo. Ana Clotilde Williams da Universidade de Northwestern nos USA, abordou o ensino do português língua estrangeira e o papel das novas tecnologias no desenvolvimento da competência comunicativa e intercultural. Chris Chrystello, com mais utopia ou mais realidade, descreveu o percurso dos colóquios da lusofonia, dos quais é o seu principal mentor, e a utilização das novas tecnologias na difusão deste importante movimento lusófono, que lidera.

O painel 5, coordenado pelo cônsul-geral de Portugal em Toronto, Júlio Vilela, contou com Manuela Bairos que abordou o tema, Diplomacia da Língua Portuguesa e a Diáspora e Manuela Aguiar da Associação Estudos Mulher Migrante, que apresentou o seu projeto Histórias de vida: ASAS (Academias Seniores de Artes e Saberes) que visa a formação de grupos de pessoas nas diásporas com ganas de contar histórias de vida, partilhar conhecimentos, saberes e saberes-fazer, projeto acolhido com entusiasmo.

A Caixa Geral de Depósitos e o Departamento de Estudos Espanhóis e Portugueses da Universidade de Toronto entregaram o prémio Pedro da Silva Merit Award atribuído ao melhor aluno da Licenciatura de Português, valorizando a excelência e o mérito académicos. A representante da Caixa Geral de Depósitos, Ana Ochôa, enalteceu a aprendizagem da Língua Portuguesa quer como língua de cultura quer como língua de trabalho tendo presente o actual crescimento das economias brasileira e angolana. Esperamos que com a criação deste Prémio numa prestigiada universidade canadiana se possa contribuir para a valorização da língua portuguesa.


Ler também:

Reportagem no jornal comunitário LusoPresse
Resumo da comunicação de Luís Aguilar
Resumo da comunicação de Vitália Rodrigues