
Para
o embaixador do Brasil, Piragibe Tarrago, há que fazer
de uma língua antiga que é o português,
uma língua, igualmente, moderna.

O reforço
do português, como língua de comunicação
internacional e a sua importância como língua
de ciência, de arte, de tecnologia, cultura, sociedade...
Este reforço será tanto maior quanto a língua
de Camões estiver presente nas organizações
internacionais e se tiver influência no mercado económico.
A diplomacia hoje não se restringe à diplomacia
política mas ela é também económica
e cultural. Há que aproveitar as novas tecnologias
da comunicação e informação para
a difusão da língua portuguesa no mundo.
As mudanças
ortográficas no Brasil, por via do Acordo Ortográfica,
foram maiores do que em Portugal, lembra Evanildo Bechara.
Por seu turno, Malaca Casteleiro refere que o português
é a quinta língua mais falada do mundo e que
se estende por uma jurisdição política
de mais de dez milhões de quilómetros quadrados,
o que representa a sétima parte do planeta. É,
igualmente, a quinta língua em número de países
(oito) e em número de utilizadores na Internet, refere
o prestigiado professor, citando o estudo sobre o valor que
o Português representa em termos económicos:
17% do produto Interno Bruto e 4% da riqueza mundial, em termos
globais.



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Com o apoio do Camões,
Instituto da Cooperação e da Língua,
dos consulados gerais de Portugal e do Brasil em Toronto,
da Associação de Estudos Mulher Migrante
e da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas
realizou-se, nos dias
28 e 29 de setembro de 2012, o Simpósio Internacional
Rosa dos Ventos: Português nos Quatro Cantos
do Mundo, cujo objetivo central foi o de comemorar
os 65 anos de ensino e aprendizagem da língua e
cultura portuguesas na Universidade de Toronto, louvável
iniciativa proposta e levada a cabo por uma das suas protagonistas,
a Professora Doutora Manuela Marujo, que soube cativar
figuras de proa do universo lusófono e da língua
portuguesa para este importante evento do qual, muito
sucintamente, damos conta.
Em primeiro lugar sublinhamos a presença da Professora
Doutora Ana Paula Laborinho, Presidente do Camões
- Instituto da Cooperação e da Língua,
cuja participação atenta, empenhada e ativa
deu o mote para o que se viria a discutir neste simpósio:
enunciou a uma assembleia de cerca de uma centena de pessoas,
os desafios de uma política de Língua Portuguesa
para o mundo. É a primeira presidente do Instituto
Camões a estar presente na prestigiada Universidade
de Toronto.
As boas-vindas
foram dadas pelo Reitor da Faculdade de Artes e Ciência
da Universidade de Toronto, Meric Gertler, por Paul
Gooch, Presidente do Victoria College, pelo Embaixador
do Brasil no Canadá, Piragibe Tarrago, por Júlio
Vilela, Cônsul-geral de Portugal em Toronto, pelo
Diretor do Departamento de Espanhol e Português
Josiah Blackmore (sublinhe-se o seu português
de Lisboa, sem mácula e doce) e pela Diretora
Adjunta do Departamento de Português da Universidade
de Toronto, Manuela Marujo a quem prestamos, aqui, a
nossa homenagem pelo seu trabalho.
Este simpósio
contou com 5 painéis de discussão. O primeiro
sobre Português, Língua Internacional,
onde o prestigiado professor João Malaca Casteleiro
falou da projeção mundial e do valor económico
da Língua Portuguesa na era da globalização,
realçando que o maior legado dos Descobrimentos
Portugueses são hoje os 240 milhões de
falantes de Português espalhados pelo mundo. Evanildo
Bechara, da Academia de Letras do Brasil, pôs
em evidência a importância da unificação
ortográfica para a expansão e difusão
da língua portuguesa no mundo moderno. Fê-lo
com a serenidade e a sabedoria que se impõem
perante a histeria à volta do Acordo Ortográfico.
Por seu turno, Aida Baptista, num registo autobiográfico,
descreveu com sensibilidade e autenticidade a sua experiência
triangular de diferentes geografias - Finlândia,
Canadá e Angola - como leitora do Icalp, primeiro
e do Instituto Camões, numa narração
que nos ajuda a compreender a carreira de leitor.
No segundo
painel, dedicado à literatura, analisou-se, por
um lado, o fascínio de Gabriela na televisão
e no écran por Hudson Moura da Universidade de
Ryerson e as mulheres trabalhadoras no cacau por Frank
Luce da Universidade de York. A Helena Chrystello coube
apresentar a Antologia Bilingue de Autores Açorianos,
como forma de proporcionar às comunidades açorianas
e estrangeiras, radicadas, sobretudo, no Canadá
e Estados Unidos. Falou do imaginário ilhéu
na obra dos escritores açorianos modernos e contemporâneos.
O terceiro
painel, moderado por Rita Rolim, docente do Camões
e professora na Universidade de York, versou sobre
Português - Língua de Afeto, Identidade
e Património. Nele a Coordenadora do Ensino
Português no Canadá, Ana Paula Ribeiro,
apresentou os resultados da sua ação no
Canadá e falou da criação recente
do European Book Club em Toronto, que existe em Montreal
há mais de três anos. Promover a internacionalização
e expansão da língua portuguesa, é
um dos seus desafios. Maria João Dodman da Universidade
de York descreveu percursos na língua portuguesa,
como língua de afeto, de estudo e de trabalho.
Manuela Marujo, por seu turno, viria a traçar
o perfil dos estudantes de língua e cultura portuguesas
na Universidade de Toronto, bem assim as motivações
que os movem a fazer tais estudos.
No painel
4, destinado à discussão sobre as Novas
Tecnologias e Aprendizagem do Português,
participaram Luís Aguilar, docente do Camões
e professor da Universidade de Montreal, que descreveu
a forma como criou um ambiente virtual de aprendizagem
de Português, Língua Estrangeira e Vitália
Rodrigues, responsável pelas oficinas de língua
portuguesa do SAC (Serviços de Atividades Culturais
da Universidade de Montreal) que apresentou o
manual interativo em linha na Rede, Português
ComunicAtivo. Ana Clotilde Williams da Universidade
de Northwestern nos USA, abordou o ensino do português
língua estrangeira e o papel das novas tecnologias
no desenvolvimento da competência comunicativa
e intercultural. Chris Chrystello, com mais utopia ou
mais realidade, descreveu o percurso dos colóquios
da lusofonia, dos quais é o seu principal mentor,
e a utilização das novas tecnologias na
difusão deste importante movimento lusófono,
que lidera.
O painel
5, coordenado pelo cônsul-geral de Portugal em
Toronto, Júlio Vilela, contou com Manuela Bairos
que abordou o tema, Diplomacia da Língua
Portuguesa e a Diáspora e Manuela Aguiar
da Associação Estudos Mulher Migrante,
que apresentou o seu projeto Histórias de
vida: ASAS (Academias Seniores de Artes e Saberes)
que visa a formação de grupos de pessoas
nas diásporas com ganas de contar histórias
de vida, partilhar conhecimentos, saberes e saberes-fazer,
projeto acolhido com entusiasmo.
A Caixa
Geral de Depósitos e o Departamento de Estudos
Espanhóis e Portugueses da Universidade de Toronto
entregaram o prémio Pedro da Silva Merit
Award atribuído ao melhor aluno da Licenciatura
de Português, valorizando a excelência e
o mérito académicos. A representante da
Caixa Geral de Depósitos, Ana Ochôa, enalteceu
a aprendizagem da Língua Portuguesa quer como
língua de cultura quer como língua de
trabalho tendo presente o actual crescimento das economias
brasileira e angolana. Esperamos que com a criação
deste Prémio numa prestigiada universidade canadiana
se possa contribuir para a valorização
da língua portuguesa.

Ler também:
Reportagem no jornal comunitário
LusoPresse
Resumo
da comunicação de Luís Aguilar
Resumo
da comunicação de Vitália Rodrigues
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