Paulo Coelho:
Um Fenómeno Reencontrado em Montreal
Por
Luís Aguilar
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Conheci-o quando era, como
eu, professor de Expressão Dramática, em 1983. Nessa altura
o famoso Paulo Coelho escrevera um livro intitulado Teatro na Educação,
que me influenciou a escrever o livro, agora premiado e publicado pelo
Instituto de Inovação Educacional do Ministério
da Educação, Expressão e Educação
Dramática. E no minúsculo encontro que tive com ele,
virou-se o feitiço contra o feiticeiro. Ele estava ali para dar
autógrafos, mas fui eu quem acabou por lhe autografar o meu livro
e recordar-lhe o nosso encontro longínquo. A foto regista esse
momento com cerca de trezentas pessoas como testemunhas que aguardavam
o autógrafo daquele que é hoje um grande espiritualista,
guru ou mesmo catequista. A história é hoje muito diferente
daquela que Paulo Coelho houvera vivido antes.
Paulo Coelho é hoje o mais impressionante fenómeno de
publicação da era actual. Publicação literária,
nem pensar, já que o que escreve não tem qualidade que
possa colocar os seus livros nas prateleiras da literatura. Os cerca
de trinta e dois milhões de livros vendidos, traduzidos em quarenta
e cinco línguas falam por si, mas não constituem razão
para o considerarmos um homem da literatura. O que muito o enfurece,
apesar do seu ar angélico. Beato. Demasiado cristão para
quem já andou nas malhas da Magia Negra e já viveu
em prisões. E tudo havia tentado, letrista de canções
para músicos famosos, dramaturgista e dramaturgo, actor e até
encenador, professor, sempre sem sucesso durável, mas com promessas
eternamente adiadas. Como a sua peregrinação a Santiago
de Compostela. Quando a fez, tudo mudou na sua vida. Mensagem que descreve
no seu livro O Diário de um Mago que, sendo o primeiro
que escreveu, só viria a ser publicado depois de O Alquimista,
tudo somado, o único que talvez valha a pena ler como obra literária
de grande construção metafórica.
Da Magia Negra ao Cristianismo, do incógnito ao
super-herói, do homem de teatro, ao professor e daqui ao guru,
o homem está no bom caminho. E não se cansa de lembrar
que vendeu mais livros em dez anos do que o Jorge Amado durante toda
a sua vida. Vamos lá a não exagerar, Paulo. Ou como diria
Bertrand Russell: O facto de uma determinada opinião ser largamente
difundida não prova que ela não seja inteiramente absurda.
Na realidade, tendo em conta a estupidez da maioria dos humanos,
é mais que provável que uma crença largamente difundida
tenha mais possibilidades de ser idiota do que sensata.