Eça Fita
por

Luís Aguilar


Continua a ser chocante a forma como certa imprensa montrealense francófona ignora uma das literaturas mais significativas do mundo, a portuguesa, escrita na terceira língua internacional mais falada no planeta, o Português. Desta feita coube a Patrick Gauthier fazer demonstração de ignorância, na sua crónica de cinema publicada no inefável Journal de Montréal de 15 de Fevereiro de 2003, onde mete no mesmo saco o francamente mau filme mexicano de Carrera e o romance de Eça de Queirós O Crime do Padre Amaro , onde o cineasta assassino diz ter-se inspirando. Gauthier tinha a obrigação de separar o trigo do joio. Teria evitado, se pesquisa tivesse feito, insultar aquele que foi um dos maiores romancistas (para José Luís Borges foi mesmo o maior de todos os tempos) do século XIX.

E teria visto a sua pesquisa facilitada se tivesse teclado a palavra Eça nos motores de pesquisa da net, onde colheria, em bom francês, farta informação. Teria podido passar uma hora agradável visitando o Consulado-Geral de Portugal em Montreal, no 2020 University, suite 2425, podendo aí recolher elementos importantes sobre a vida, a obra, a iconografia do romancista português, na Exposição bilingue Eça de Queirós. Marcos Biográficos e Literários - Parcours Biographique et Littéraire.

Basta informação poderia, igualmente, ter colhido no Sítio Teia Portuguesa, sítio de Apoio à Língua e Culturas Lusófonas da Universidade de Montreal.

Aqui fica o nosso reparo, na esperança que alguma luz possa provocar e que não continuemos a assistir passivamente à colagem da mediocridade de Carrera e da genialidade de Eça de Queirós. Se o filme fosse bom, certamente outro galo cantaria. Assim sendo... cá cá ra cá!