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DIA
EUROPEU DAS LÍNGUAS
EM
MONTREAL
por
Vitália
Rodrigues
Fotos
de Vitália Rodrigues
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Celebrou-se no
passado sábado, dia 28 de setembro de 2013, no quadro
das atividades do Lisez l'Europe, o Dia Europeu das Línguas.
Vários professores de diferentes línguas estiveram
presentes no espaço dinâmico que o Instituto Goethe
dispõe, num edifício sito no cruzamento das ruas
Saint-Laurent e Ontário, das 14 às 16 horas, para
sensibilizarem os participantes para a aprendizagem das línguas
que ensinam.
A proposta consistia
em abrir várias mini-oficinas de línguas (alemão,
catalão, espanhol, italiano e português) e proporcionar
uma aventura linguística de cerca de 30 minutos. Num
dia soalheiro, foram vários os que escolheram fazer este
percurso, tendo alguns chegado a participar em três das
cinco mini-oficinas disponíveis, aproveitando desse modo
o desencontro propositado dos horários. Professores,
curiosos, público das mais variadas origens e profissões
marcaram presença.
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Docentes em busca de novos métodos
e abordagens de ensino de línguas foram o público
dominante das mini-oficinas orientadas por Luís Aguilar,
professor convidado da Universidade de Montreal e docente
do Camões, Instituto da Cooperação e
da Língua que, utilizando material didático
apelativo à criatividade, proporcionou uma experiência
lúdica num ambiente descontraído. Apresentação,
nomes próprios em português e respetivos diminutivos
e aumentativos, fazendo o recurso a bolas de várias
cores a passar pelos vários participantes, diálogos
minúsculos para saudar e apresentar-se em português,
foram as atividades iniciais conduzidas a todo o vapor e acolhidas
entusiasticamente pelos participantes.
Agradeceram e espantaram-se com
a forma que o agradecimento adquire em português: obrigado,
obrigada, obrigados e obrigadas. Constataram de seguida uma
outra especificidade da língua de Camões, a
do uso (e abuso) dos diminutivos e aumentativos, quase desaparecidos
da língua de Molière.
Para além dos diminutivos e aumentativos da língua
portuguesa e da particularidade das quatro formas que tem
o agradecimento em português, Luís Aguilar, a
propósito dos números ordinais sublinhou uma
terceira especificidade do Português: o nome dos dias
da semana, que seguem, ao contrário das outras línguas,
o calendário litúrgico: segunda-feira, terça-feira,
quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira. Feira de Feriae,
feriado. Todos os dias são feriados na nomeação
dos nomes que compõem a semana portuguesa. Também
assim se passa no grego moderno, esclarece um dos participantes.
Depois, andam por toda a sala,
seguindo as propostas de ação propostas pelo
animador: sentar, levantar, andar, saltar, cumprimentar, baixar,
rodar, etc. Prosseguem, formando agora espontaneamente grupos
constituídos pelo número dito pelo animador.
Cada grupo constrói em conjunto um sinal ortográfico
e ou de pontuação: til, dois pontos, ponto de
exclamação, vírgula, reticências.
Distribuem-se cartões
de cores variadas. Há duas cores iguais. São
nomeadas as cores. Formam-se pares a partir das cores idênticas.
Em cada par um apresenta o outro recorrendo ao diálogo
de apresentação escrito no quadro.
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Todos os participantes
formam em conjunto um piano, representando, cada um, uma das suas
teclas, a que corresponderá um dos sons característicos
da língua portuguesa: NH, LH, ÃO, ÕES, R,
RR ... Um "pianista", ao tocar em cada uma das teclas
verá emitido o som correspondente e previamente definido.
E até a garrafa
de água serviu para que os participantes lessem a frase
de Fernando Pessoa nela inscrita: Para viajar basta existir.
E bastou existir hic et nunc para se perceber como
tanto se pode ensinar e aprender em tão pouco tempo, em
que tudo se passa ao mesmo tempo. Assim aprendem as crianças
uma língua. Haverá alguma razão para que
os adultos não façam o mesmo? Entraram sem saber
uma palavra de português e a vontade de comunicar numa outra
língua provocou o milagre aqui descrito.
 
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