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Obras
de Bocage nas Bibliotecas da Universidade de Montreal:
Em
breve Bocage terá uma citação sua num dos
bancos do Boulevard Saint Laurent, no que virá a ser o
bairro português de Montreal:
Fado
amigo não há
nem fado escuro:
Fados são as paixões,
são as vontades.

Casa
onde nasceu Bocage
Como
citar esta página:
Aguilar,
Luís. Bocage. In Teia Portuguesa. [Em Linha].
http://www.teiaportuguesa.com/literaturabocage.htm
(Página consultada em 25 de Janeiro de 2008).
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Com um pé nos degraus
da Arcádia,
com
o outro suspenso ante os abismos enigmáticos
do futuro,
a sua posição de tão
instável,
tão depressa nos comove
como logo nos impacienta
David Mourão Ferreira
Nascido
em Setúbal em 1765, poeta
pré-romântico
de estilo rebelde e satírico, Manuel
Maria Barbosa du Bocage é considerado
um dos maiores poetas portugueses do século
XVIII. Deve o seu nome a mãe de ascendência
francesa e desde muito cedo revela talentos
literários, balbuciando versos co'a
voz da infância. Talento nato gémeo
de azar nato porque marcado pela adversidade
quando se vê aos dez anos sem a mãe
e mesmo que sob a tutela do pai e em contacto
com a fina flor da sociedade sadina a melancolia
não parecia querer abandoná-lo,
encontrando a cura para os seus males de existência
na boémia
lisboeta, onde leva uma
vida
desregrada que estende por outras
paragens: Índia (Goa e Damão),
Brasil e Macau. No seu regresso a Lisboa,
em 1790, desata a escrever versos, inspirados
em sucessivos desgostos amorosos, primeiro
com uma cunhada e depois sabe-se lá
de quem. Foi preso ao divulgar o poema
Carta
a Marília que
não agradou à inquisição,
em 1797, e quando saíu do Limoeiro
foi hóspede do convento dos oratorianos,
onde se vergou (?) às convenções
religiosas de então, local onde se
lavava o cérebro aos que se evaporavam
na lida insana. Ainda assim viu divulgados
clandestinamente os seus versos eróticos
e burlescos.
Elmano
Sadino, seu pseudónimo,
na Nova
Arcádia que, no entanto,
criticou contundentemente. As suas
obras
tiveram várias
edições ainda em vida: Rimas,
tomo I (1791), Rimas, tomo II (1799) e Rimas,
tomo III (1804), tendo traduzido, igualmente
autores
latinos e franceses.
Bocage que se comparava a Camões nos
infortúnios (Camões, grande
Camões! quão semelhante acho
teu fado ao meu, quando os cotejo!) descrevia-se
do seguinte modo:
Auto-retrato
Magro,
de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão
de altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno;
Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à
ternura;
Bebendo em níveas mãos,
por taça escura,
De zelos infernais letal veneno;
Devoto incensador de mil deidades
(Digo de moças mil) num só
momento,
E somente no altar amando os frades,
Eis Bocage em quem luz algum talento;
Saíram dele estas verdades,
Num dia em que se achou mais pachorrento.
Bocage |
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Já
Bocage não sou!...
Já
Bocage não sou!... À cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento...
Eu aos Céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura;
Conheço
agora já quão vã figura,
Em prosa e verso fez meu louco intento:
Musa!... Tivera algum merecimento
Se um raio da razão seguisse pura.
Eu
me arrependo; a língua quase fria
Brade em alto pregão à mocidade,
Que atrás do som fantástico
corria:
Outro
Aretino fui... a santidade
Manchei!... Oh! Se me creste, gente ímpia,
Rasga meus versos, crê na eternidade!
Bocage
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E
Vós, Crédulos, Mortais, Alucinados
Vós,
crédulos mortais, alucinados
De sonhos, de quimeras, de aparências
Colheis por uso erradas consequências
Dos acontecimentos desastrados.
Se à perdição correis
precipitados
Por cegas, por fogosas, impaciências,
Indo a cair, gritais que são violências
De inexoráveis céus, de negros
fados.
Se um celeste poder tirano e duro
Às vezes extorquisse as liberdades,
Que prestava, ó Razão, teu
lume puro?
Não forçam corações
as divindades,
Fado amigo não há nem fado
escuro:
Fados são as paixões, são
as vontades.
Bocage
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Meu
ser evaporei na lida insana
Meu
ser evaporei na lida insana
Meu
ser evaporei na lida insana
Do
tropel de paixões, que me arrastava;
Ah!
cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
Em
mim quase imortal a essência humana.
De que inúmeros sóis a mente
ufana
Existência
falaz me não dourava!
Mas
eis sucumbe a Natureza escrava
Ao mal, que a vida em sua orgia dana.
Prazeres,
sócios meus, e meus tiranos!
Esta
alma, que sedenta em si não coube,
No abismo vos sumiu dos desenganos.
Deus,
oh Deus!... Quando a morte à luz
me roube,
Ganhe
um momento o que perderam anos,
Saiba
morrer o que viver não soube.
Bocage
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