A
educação,
o ensino e o desenvolvimento pessoal
deveriam
ser considerados como uma única realidade.
Georgi Lozanov
Fundamentos
Inspiramo-nos,
por um lado, na ideia do jornal vivo de Moreno, que integrava o seu
Teatro da Espontaneidade e na estratégia educativa o jornal escolar,
concebida por Freinet, como técnica pedagógica, interdisciplinar.
Consiste a nossa proposta na dramatização de notícias
de jornal, spots publicitários, reportagens, etc., através
de várias técnicas de Expressão Dramática.
Trata-se com efeito, de passar à acção dramática,
textos simples tirados da vida quotidiana das pessoas, da política,
da arte, etc., ou da criação de reportagens imaginárias,
legendas para fotografias, textos, etc.
Vamos descrever actividades-tipo, deste tipo de trabalho que integra
o nosso modelo de comunic-acção de ensino e aprendizagem
do Português, Língua Estrangeira, fundamentado no jogo
de papéis, na sugestopedia e no modelo centrado na experiência.
Ler
títulos de jornais
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O
animador propõe várias actividades que têm
a finalidade de introduzir e motivar os participantes no tema
do Jornal Vivo.
Quando os participantes entram na sala de trabalho encontram
distribuídas por todo o espaço folhas de jornal.
Percorrem toda a sala, sem tocar nas folhas, tentando ler à
distância os títulos. Gradualmente vão resmungando
em voz sussurrada os títulos que conseguem ler. A ideia
consiste na produção de uma espécie de
orquestração com as sonoridades das várias
frases dos jornais. Depois, seguindo a mesma proposta, alternam
a forma de ler as notícias: em voz alta, cantando, em
pregão, gritando, sussurrando, etc. |
Ler
notícias de diferentes maneiras
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Continuando
a movimentar-se por toda a sala, cada participante, pega numa
das folhas de um jornal, lê frases soltas de várias
notícias, nas formas mais diversificadas. Cada notícia
é lida, como se fosse:
1.
uma anedota engraçada.
2. o anúncio de uma tragédia.
3. uma declaração de amor.
4. a letra de uma canção.
5. lida por um gago.
6. um discurso político
7. um relato desportivo
8. cantada em ópera
Logo que o orientador,
a sinal combinado, dá ordem de parar, todos os elementos
se calam, à excepção de um que o orientador
nomeia. Este contará a anedota engraçada ou fará
o anúncio de uma tragédia, ou uma declaração
de amor ou cantará uma canção, ou... ou....
e, a novo sinal, todos voltam ao mesmo tempo a ler a notícia
de acordo com a proposta anterior. O silêncio e o som
do invólucro das notícias.
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A
sonoridade das páginas dos jornais
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Sem
danificar as folhas de jornal expostas, uma vez que vão
ser utilizadas em actividades posteriores, os vários
participantes passeiam as folhas pela sala, procurando obter
delas sonoridades diversifica das. Depois, tentam passear as
folhas sem produzir o mínimo ruído.
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Os
Ardinas
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Cada
participante pega numa folha de jornal.
Distribuem-se pela sala, e tal como fazem os ardinas, vão
anunciar as principais notícias das suas folhas, como
se quisessem atrair clientes imaginários.
Metade dos elementos do grupo são ardinas que apregoam
os principais eventos e os elementos da outra metade fazem de
clientes, parando em frente de cada ardina para escutarem os
vários pregões. Deslocam-se de ardina em ardina
como entenderem. Invertem-se os papéis.
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Criação
e Dramatização de Notícias em Grupo
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Os
participantes são convidados a trabalhar em grupos de
composição e número variados e que terão
como tarefa a dramatização, a legendagem das imagens
das notícias.
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Notícias
Vivas
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Distribuídos
por grupos de quatro ou cinco elementos, os participantes vão
escolher uma notícia de jornal susceptível de
ser dramatizada. Cada grupo terá então cerca de
15 minutos para, em conjunto, definir a forma como vai apresentar
a notícia de maneira a que pareça estar a passar-se
aqui e agora, ao vivo.
O animador ou um elemento do grupo lê uma notícia
de jornal. Os participantes dramatizam a notícia lida.
Numa pequena retroacção pontual, analisa-se a
forma dramática das várias versões da notícia
apresentada.
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Modificar
Notícias
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Os
participantes distribuem-se por grupos de quatro/cinco elementos.
Cada grupo tem uma notícia de jornal. Depois de analisá-la
cada grupo vai imaginar um desfecho diferente para o evento
narrado na notícia. Vinte minutos é o tempo máximo
concedido a cada grupo para essa tarefa que inclui a definição
da forma como vai ser apresentada aos outros grupos.
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Legendar
Notícias
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A
partir de uma imagem, de uma fotografia, de um quadro, etc.,
cada grupo de quatro/cinco participantes cria uma legenda que
lhe corresponda.
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A
Imagem da Notícia
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Cinco voluntários munidos de uma máquina fotográfica,
no papel de repórteres fotográficos, vão
ao exterior colher imagens instantâneas de motivos que
pensem poder ser assunto de notícia. |
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A
Notícia da Imagem
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Distribuídos
em grupos os participantes redigem, num primeiro momento, uma
notícia que possa corresponder a cada uma das fotos instantâneas
recolhidas. Num segundo momento, cada grupo dramatiza a notícia
redigida podendo ampliar ou modificar o seu conteúdo
de acordo com a forma escolhida para a apresentação
aos outros grupos. |
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Os
Canais de Televisão
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Os
participantes estão distribuídos por quatro/ cinco
grupos. Cada grupo é formado por jornalistas de um canal
de televisão, responsável pela emissão
de programas. Sem grande preparação prévia,
cada grupo decide que vai emitir um programa ou programas ou
spot publicitário, ou desenho animado, etc. Os grupos
são numerados de um a quatro ou cinco e logo que o animador
mencione o número correspondente a um grupo (canal de
televisão) este responde de imediato com uma improvisação
significativa de um programa que nesse momento começa
a ser transmitido.
Ao sinal de stop, o grupo que está a transmitir, suspende
a emissão para dar lugar a um outro que o animador nomeia
e que passará, de imediato, à acção.
O animador chamará cada canal de televisão sem
que tenha de seguir a ordem numérica estabelecida. Pode
mesmo chamar duas vezes de seguida o mesmo canal. Cada programa
é definido aqui e agora e não é apresentado
na sua totalidade. Poder-se-á dizer que deve começar
no meio e acabar no meio, uma vez que cada intervenção
é permanentemente interrompida.
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Palavras:
Da
Memorização à Dramatização


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Memorizar
Palavras
A presente
actividade desenvolve-se em três momentos distintos, e
potencializa vários elementos transdisciplinares e/ou
interdisciplinares, com especial incidência na aprendizagem
da língua estrangeira. Cada momento da actividade, que
a seguir se transcreve, deve ser realizado, um em cada sessão.
O primeiro momento é, antes do mais, um exercício
de memória e de concentração da atenção.
Paralelamente, pretende-se realçar a importância
do trabalho em grupo e as capacidades inesgotáveis do
ser humano. O segundo momento corresponde à criação
de um texto, para dramatização posterior. Num
terceiro momento pretende-se, sobretudo, mobilizar as capacidades
criativas e imaginativas dos participantes e realçar
a importância da comunicação.Todos os elementos
do grupo estão dispostos em círculo, em posição
confortável.Um participante inicia uma frase: "Eu
dou-te uma flor", por exemplo. O segundo elemento acrescenta
algo à frase: "Eu dou-te uma flor e duas revoluções",
para um terceiro participante continuar: "Eu dou-te uma
flor, duas revoluções e três memórias".
E assim por diante. Quer dizer, cada pessoa acrescenta um novo
elemento, a que igualmente e para facilitar, se lhe associa
o número seguinte. O participante que se enganar sai
do jogo, terminando este, quando só existir uma pessoa.
Verificar-se-á como em muito pouco tempo são ditas
de cor várias dezenas de palavras que levariam horas
a memorizar individualmente.
Produção
escrita
Formam-se vários grupos de trabalho. Cada grupo vai criar
um texto em que entrem todas as palavras anteriormente definidas.
Utilizadas no singular ou no plural, todas devem constituir
o pequeno texto a criar por cada grupo, que adoptará
a metodologia que achar mais conveniente. Em
alternativa, pode pedir-se a cada participante que faça
um pequeno texto que contenha todas as palavras decoradas. Só
então se passará ao trabalho em grupo, que consistirá,
neste caso, na selecção de três ou quatro
textos susceptíveis de serem dramatizados. Pode-se, ainda
nesta fase, modificar-se, agora em grupo, algumas partes do
texto produzido individualmente.
Dramatização
Após
a leitura dos vários textos, pede-se a cada grupo que
passe à acção dramática aquilo que
foi criado no papel. Se a tónica era antes colocada na
palavra, neste terceiro momento os vários participantes
concentrarão os seus esforços criativos no jogo
dramático. Neste sentido não se torna necessária
a utilização das palavras memorizadas. É
no entanto natural que por força da sua inclusão
no texto criado, a maior parte delas venha a ser integrada na
dramatização.Finalmente, os vários grupos
apresentam as suas produções, que serão
motivo de análise tanto quanto ao conteúdo como
à forma escolhida. Pode, eventualmente, após as
análises realizadas, voltar a repetir-se cada dramatização,
sobretudo se, neste caso, se colocar a tónica no desenvolvimento
de capacidades de comunicação. |
Na
Agência de Viagens
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O
cenário que vamos descrever envolve 10 alunos que aprendem
Português médio-avançado, um animador
e um assistente e, pelo que foi dito até aqui, depressa
se compreende que se trata de um cenário simultaneamente
ideal e/ou paradigmático.
Pela abordagem do Jogo de Papéis o animador prepara,
na sala, um cenário de uma Agência de Viagens,
para a simulação hic et nunc de situações
de aprendizagem.
Dois computadores, ligados à rede, várias cadeiras,
onde se sentarão os "utentes", ao lado dos
computadores, um aparelho de televisão, com leitor
de vídeo incorporado. Nas paredes estão afixados
vários cartazes evocativos da história, da geografia,
da gastronomia, da literatura, dos vinhos portugueses, etc.
Ouve-se música portuguesa como pano de fundo que dá
o ambiente musical. De posse do maior número de informações,
o assistente, ou o próprio animador ou os dois, vão
desempenhar o papel de Agentes de Viagem. Os alunos são
convidados a fazer de conta que são potenciais utentes
dos serviços da Agência e, por isso, querem recolher
informações sobre os vários aspectos
relacionados com uma imaginária viagem a Portugal.
Na "agência" encontra-se, igualmente, uma
estudante que já visitou Portugal com uma Bolsa de
Estudos do Instituto Camões. A esta, o animador propõe
que imagine que quer, de novo ir, a Portugal, mas agora, em
viagem turística.
O animador e/ou o assistente, recorrendo aos seus motores
de pesquisa pré-seleccionados, respondem às
várias questões colocadas pelos "utentes"
sobre as várias regiões do país que pretendem
visitar. Recorrem, também aos vários Sítios
seleccionados na Rede, para darem informações
sobre questões diversas apresentadas pelos participantes.
Que, na agência de viagens, partilham a informação
que lhes foi fornecida.
O animador para desenvolver esta actividade tem, como se depreende,
de fazer um volumoso trabalho de retaguarda que consiste,
essencialmente, na pré-selecção de sítios
na Rede, selecção de cartazes, fotografias,
e variado material de apoio para tornar o mais aproximado
da realidade a simulação, a partir da qual são
inúmeras as tarefas a realizar:
1. Escolher, numa virtual viagem a Portugal, três motivos
ou lugares de interesse.
2. Hierarquizar necessidades preparatórias à
viagem, no que diz respeito, ao vocabulário, à
cultura, ao turismo, à gastronomia, à história,
etc.
3. Imaginar uma situação vivida na viagem virtual
para, posteriormente, com a colaboração dos
colegas, ser dramatizada numa futura sessão.
4. Interessar-se, verdadeiramente, pela viagem virtual e fazendo
como se ela se realizasse para no prazo de 15 dias, cada participante
apresenta o seu plano de viagens ao animador (professor) para
novas orientações e planificações
do ensino e da aprendizagem.
Como se deduz, as simulações e dramatizações
constituem a motivação para a aplicação
e partilha dos saberes aprofundando, ao mesmo tempo que as
competências linguísticas, o conhecimento do
património literário português, só
possíveis, no entanto, com apurado e sistemática
procura de informação que a Rede (Web) pode
fornecer.
Em síntese, não sendo possível ter a
realidade do país ali mesmo à frente inventa-se
através da simulação que pode tornar
as situações fictícias ou virtuais mais
reais do que a realidade, quantas vezes vivida, como muitas
vezes o sublinha Cardoso Pires, de forma cega, estilo postal
ilustrado ou como conserva cultural. Ou como diria ainda Mia
Couto "os factos só são verdadeiros depois
de serem inventados". |

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