Não basta ensinar
ao homem uma especialidade,
porque se tornará assim uma máquina utilizável
e não uma personalidade.
É
necessário que adquira um sentimento,
um
senso prático
daquilo que vale a pena ser empreendido,
daquilo que é belo,
do que é moralmente correcto.
Albert Einstein
Há algum tempo recebi
um convite de um colega para servir de árbitro na revisão
de uma prova. Tratava-se de avaliar uma questão de Física,
que recebera nota zero. O aluno contestava a avaliação,
alegando que merecia nota máxima pela resposta, a não
ser que houvesse uma conspiração do sistema
contra ele. Professor e aluno concordaram em submeter o problema
a um juiz imparcial, e eu fui o escolhido. Chegando à sala
de meu colega, li a questão da prova, que dizia:
Mostre
como se pode determinar a altura de um edifício bem alto
com o auxílio de um barómetro.
A resposta
do estudante foi a seguinte:
Leve o
barómetro ao alto do edifício e amarre-lhe uma corda;
baixe o barómetro até à calçada e em
seguida levante-o, medindo o comprimento da corda; este comprimento
será igual à altura do edifício.
Sem dúvida
era uma resposta interessante, e de alguma forma correcta, pois
satisfazia o enunciado. Por instantes vacilei quanto ao veredicto.
Recompondo-me
rapidamente, disse ao estudante que ele tinha forte razão
para ter nota máxima, já que havia respondido à
questão completa e correctamente. Entretanto, se ele tirasse
nota máxima, estaria caracterizada uma aprovação
num curso de Física, mas a resposta não confirmava
isso. Sugeri então que fizesse uma outra tentativa para responder
à questão. Não me surpreendi quando o meu colega
concordou, mas sim quando o estudante resolveu encarar aquilo que
eu imaginei ser-lhe-ia um bom desafio. Segundo o acordo, ele teria
seis minutos para responder à questão, isto após
ter sido prevenido de que a sua resposta deveria mostrar, necessariamente,
algum conhecimento de Física.
Passados cinco
minutos ele não havia escrito nada, apenas olhava pensativamente
para o fundo da sala. Perguntei-lhe então se desejava desistir,
pois eu tinha um compromisso logo a seguir e não tinha tempo
a perder. Mais surpreso ainda fiquei quando o estudante anunciou
que não havia desistido. Na realidade tinha muitas respostas,
e estava justamente escolhendo a melhor. Desculpei-me pela interrupção
e solicitei que continuasse. No momento seguinte ele escreveu esta
resposta:
Vá
ao alto do edifício, incline-se numa ponta do telhado e solte
o barómetro, medindo o tempo t de queda desde a largada até
ao toque com o solo. Depois, empregando a fórmula h = ()/2)^1
, calcule a altura do edifício.
Perguntei então
ao meu colega se ele estava satisfeito com a nova resposta, e se
concordava com a minha disposição em conferir praticamente
a nota máxima à prova. Concordou, embora sentisse
nele uma expressão de descontentamento, talvez de inconformismo.
Ao sair da sala, lembrei-me que o estudante havia dito ter outras
respostas para o problema. Embora já sem tempo, não
resisti à curiosidade e perguntei-lhe quais eram essas respostas.
Ah!, sim,
- disse ele - há muitas maneiras de se achar a altura
de um edifício com a ajuda de um barómetro.
Perante a
minha curiosidade e a já perplexidade de meu colega, o estudante
desfitou as seguintes explicações:
Por exemplo,
num belo dia de sol pode-se medir a altura do barómetro e
o comprimento de sua sombra projectada no solo, bem como a do edifício.
Depois, usando-se uma regra de três simples, determina-se
a altura do edifício.
Um outro
método básico de medida, aliás bastante simples
e directo é subir as escadas do edifício fazendo marcas
na parede, espaçadas da altura do barómetro. Contando
o número de marcas ter-se-á a altura do edifício
em unidades barométrícas.
Um método mais complexo seria amarrar o barómetro
na ponta de uma corda e balançá-lo como um pêndulo,
o que permite a determinação da aceleração
da gravidade (g). Repetindo a operação ao nível
da rua e no topo do edifício tem-se dois g's, e a altura
do edifício pode, a principio, ser calculada com base nessa
diferença.
(NR: esta é a melhor para mim...)
Finalmente, - concluiu, - se não for considerada
uma solução física para o problema, existem
outras respostas. Por exemplo: pode-se ir até ao edifício
e bater á porta do porteiro. Quando ele aparecer; diz-se:
- Caro Sr. porteiro, trago aqui um óptimo barómetro;
se o Sr. me disser a altura deste edifício, eu lhe darei
o barómetro de presente.
A esta altura,
perguntei ao estudante se ele não sabia qual era a resposta
esperada para o problema. Ele admitiu que sabia, mas estava
tão farto com as tentativas dos professores de controlar
o seu raciocínio e obter respostas feitas com base em informações
mecanicamente arroladas, que ele resolveu contestar aquilo que considerava,
principalmente, uma farsa.
ACTIVIDADE
INTERPRETE E IDENTIFIQUE
A SITUAÇÃO PROBLEMÁTICA EMERGENTE,
TENDO EM CONTA A REFLEXÃO PRODUZIDA NOS NOSSOS ENCONTROS
E NOS TEXTOS DE APOIO FORNECIDOS, NOMEADAMENTE, SOBRE MÉTODOS
CONVENCIONAIS VERSUS NÃO CONVENCIONAIS DE ENSINO/
APRENDIZAGEM. AFINAL, QUE NOTA MERECE O ALUNO? QUAL DAS
RESPOSTAS FORNECIDAS PREFERE. JUSTIFIQUE.
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NOME______________________________________________________________________________________
DATA_____/_____/_____
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T
R
A
B
A
L
H
O
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