Université de Montréal - Faculté des arts et des sciences -Département de Littératures et de langues modernes
Mineur en langue portugaise et cultures lusophones
PTG 1954-Portugais idiomatique et composition
PTG 1955-Portugais: communications orale et écrite
PTG 2050-Portugais: langue étrangère

Professeur invité d'Études portugaises et Docente do Instituto Camões: Luís Aguilar

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ANÁLISE DE UMA SITUAÇÃO PROBLEMÁTICA


LEIA COM ATENÇÃO,
O TEXTO DE WALDEMAR SETZER, A RESPOSTA CERTA, E RESPONDA À QUESTÃO.

A RESPOSTA CERTA
de
Waldemar Setzer
(Professor aposentando da USP)


F
I
C
H
A

 

D
E

Não basta ensinar ao homem uma especialidade,
porque se tornará assim uma máquina utilizável e não uma personalidade.
É necessário que adquira um sentimento,
um senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido,
daquilo que é belo,
do que é moralmente correcto.

Albert Einstein


Há algum tempo recebi um convite de um colega para servir de árbitro na revisão de uma prova. Tratava-se de avaliar uma questão de Física, que recebera nota zero. O aluno contestava a avaliação, alegando que merecia nota máxima pela resposta, a não ser que houvesse uma conspiração do sistema contra ele. Professor e aluno concordaram em submeter o problema a um juiz imparcial, e eu fui o escolhido. Chegando à sala de meu colega, li a questão da prova, que dizia:

Mostre como se pode determinar a altura de um edifício bem alto com o auxílio de um barómetro.

A resposta do estudante foi a seguinte:

Leve o barómetro ao alto do edifício e amarre-lhe uma corda; baixe o barómetro até à calçada e em seguida levante-o, medindo o comprimento da corda; este comprimento será igual à altura do edifício.

Sem dúvida era uma resposta interessante, e de alguma forma correcta, pois satisfazia o enunciado. Por instantes vacilei quanto ao veredicto.

Recompondo-me rapidamente, disse ao estudante que ele tinha forte razão para ter nota máxima, já que havia respondido à questão completa e correctamente. Entretanto, se ele tirasse nota máxima, estaria caracterizada uma aprovação num curso de Física, mas a resposta não confirmava isso. Sugeri então que fizesse uma outra tentativa para responder à questão. Não me surpreendi quando o meu colega concordou, mas sim quando o estudante resolveu encarar aquilo que eu imaginei ser-lhe-ia um bom desafio. Segundo o acordo, ele teria seis minutos para responder à questão, isto após ter sido prevenido de que a sua resposta deveria mostrar, necessariamente, algum conhecimento de Física.

Passados cinco minutos ele não havia escrito nada, apenas olhava pensativamente para o fundo da sala. Perguntei-lhe então se desejava desistir, pois eu tinha um compromisso logo a seguir e não tinha tempo a perder. Mais surpreso ainda fiquei quando o estudante anunciou que não havia desistido. Na realidade tinha muitas respostas, e estava justamente escolhendo a melhor. Desculpei-me pela interrupção e solicitei que continuasse. No momento seguinte ele escreveu esta resposta:

Vá ao alto do edifício, incline-se numa ponta do telhado e solte o barómetro, medindo o tempo t de queda desde a largada até ao toque com o solo. Depois, empregando a fórmula h = ()/2)^1 , calcule a altura do edifício.

Perguntei então ao meu colega se ele estava satisfeito com a nova resposta, e se concordava com a minha disposição em conferir praticamente a nota máxima à prova. Concordou, embora sentisse nele uma expressão de descontentamento, talvez de inconformismo. Ao sair da sala, lembrei-me que o estudante havia dito ter outras respostas para o problema. Embora já sem tempo, não resisti à curiosidade e perguntei-lhe quais eram essas respostas.

Ah!, sim, - disse ele - há muitas maneiras de se achar a altura de um edifício com a ajuda de um barómetro.

Perante a minha curiosidade e a já perplexidade de meu colega, o estudante desfitou as seguintes explicações:

Por exemplo, num belo dia de sol pode-se medir a altura do barómetro e o comprimento de sua sombra projectada no solo, bem como a do edifício. Depois, usando-se uma regra de três simples, determina-se a altura do edifício.

Um outro método básico de medida, aliás bastante simples e directo é subir as escadas do edifício fazendo marcas na parede, espaçadas da altura do barómetro. Contando o número de marcas ter-se-á a altura do edifício em unidades barométrícas.

Um método mais complexo seria amarrar o barómetro na ponta de uma corda e balançá-lo como um pêndulo, o que permite a determinação da aceleração da gravidade (g). Repetindo a operação ao nível da rua e no topo do edifício tem-se dois g's, e a altura do edifício pode, a principio, ser calculada com base nessa diferença.

(NR: esta é a melhor para mim...)

Finalmente, - concluiu, - se não for considerada uma solução física para o problema, existem outras respostas. Por exemplo: pode-se ir até ao edifício e bater á porta do porteiro. Quando ele aparecer; diz-se: - Caro Sr. porteiro, trago aqui um óptimo barómetro; se o Sr. me disser a altura deste edifício, eu lhe darei o barómetro de presente.

A esta altura, perguntei ao estudante se ele não sabia qual era a resposta esperada para o problema. Ele admitiu que sabia, mas estava tão farto com as tentativas dos professores de controlar o seu raciocínio e obter respostas feitas com base em informações mecanicamente arroladas, que ele resolveu contestar aquilo que considerava, principalmente, uma farsa.


ACTIVIDADE

INTERPRETE E IDENTIFIQUE A SITUAÇÃO PROBLEMÁTICA EMERGENTE, TENDO EM CONTA A REFLEXÃO PRODUZIDA NOS NOSSOS ENCONTROS E NOS TEXTOS DE APOIO FORNECIDOS, NOMEADAMENTE, SOBRE MÉTODOS CONVENCIONAIS VERSUS NÃO CONVENCIONAIS DE ENSINO/ APRENDIZAGEM. AFINAL, QUE NOTA MERECE O ALUNO? QUAL DAS RESPOSTAS FORNECIDAS PREFERE. JUSTIFIQUE.

 


NOME______________________________________________________________________________________
DATA_____/_____/_____


 

 

T
R
A
B
A
L
H
O

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Classificação