Em
linguística como em pedagogia
não podemos, hoje em dia, passar sem a noção
de modelo;
um método de ensino pressupõe, simultaneamente,
um modelo de aprendizagem e um modelo de competência
ou de saber fazer.
Francis
Debyser
Introdução
Nos
últimos oito anos temos vindo a desenvolver
um trabalho investigação sobre o ensino
do Português Língua Estrangeira, no
quadro das nossas actividades de professor de Língua
Portuguesa e Culturas Lusófonas da Universidade
de Montreal, investigação essa que
nos conduziu à construção de
um método não convencional de alto
nível expressivo e comunicativo para o ensino
e aprendizagem da língua portuguesa, assente
numa funcional engenharia pedagógica, numa
tecnologia do desenvolvimento pessoal, num espaço-tempo
que se define por ser um parêntese da realidade,
onde se simula e joga papéis, numa formação
experiencial pela Arte e, finalmente, em materiais
pedagógicos interactivos na Rede. A este
conjunto ordenado que fundamenta a nossa prática,
chamamos Método de Comunic-Acção
para o Ensino do Português Língua Estrangeira.
Para
definir as linhas mestras do Método de Comunic-Acção
para o Ensino do Português Língua Estrangeira,
confrontámos numerosas abordagens destinadas
ao ensino e à aprendizagem: Modelo de Aprendizagem
Experiencial, Sugestopedia, Programação
Neurolinguística, Leitura Mecânica
em Voz Alta e Dicção, Aprendizagem
Comunitária de Línguas, Jogo de Papéis,
Abordagens Expressivo-comunicativas e Artístico-culturais,
Gestaltpedagogia, Autonomia e Ensino a Distância,
Aprendizagem pelo Movimento e Psicodramaturgia Linguística,
entre muitas outras. Todas estas abordagens possuem
um denominador comum: opõem-se ao modelo
tradicional de ensino e aprendizagem de uma língua
estrangeira e, sobretudo, ao "modelo"
mais nocivo que conhecemos que é o da ausência
de modelo. Da análise que fizemos de todas
essas abordagens, deparamo-nos com as esperadas
e naturais contradições que se verificam
de modelo para modelo, de abordagem para abordagem,
de técnica para técnica, de actividade
para actividade, sem que isso nos impedisse de reter
alguns elementos que inspiraram o trabalho que agora
damos a conhecer.
Na
descrição de cada componente do Método
de Comunic-Acção para o Ensino do
Português Língua Estrangeira tivemos
sempre em conta a especificidade do português,
como língua estrangeira, a aprendizagem como
uma sequência de tomadas progressivas de consciência,
a subordinação dos objectivos linguísticos
à aprendizagem e não ao ensino, uma
visão positiva do estudante, a aprendizagem
pela totalidade do cérebro, a relação
entre o consciente e o inconsciente, a harmonização
entre os aspectos racionais e emocionais da aprendizagem,
enfim, a centração na globalidade
da pessoa do aprendente. Tivemos ainda em conta
que a aquisição da competência,
aprender a comunicar é, acima de tudo, aprender
a interpretar informações, a revelar
desejos, expectativas e intenções,
expressar opiniões e tomar decisões,
aspectos grandemente motivadores para o domínio
de uma língua. Com efeito, a competência
comunicativa desenvolve-se, em simultâneo,
com as competências linguísticas. Por
exemplo, o aprendente recorre a uma estratégia
que emerge da sua experiência anterior posta
em prática na aprendizagem da sua língua
materna, sendo natural que, no momento em que aprende
uma segunda ou terceira língua, desenvolva
as suas competências linguísticas e
comunicativas anteriores. Com efeito, o contacto
com outra língua tem efeitos muito mais amplos
do que a aprendizagem dessa língua, se as
tarefas e actividades tiverem objectivos muito mais
amplos do que a aprendizagem da língua-alvo
e se esta for ensinada no quadro das culturas que
lhe estão associadas.
A
realidade entre parênteses
A aprendizagem
de uma língua estrangeira é tanto
mais conseguida se feita num espaço-tempo,
que coloque a realidade entre parênteses e
que dela se distancie, para albergar uma segunda
realidade, por vezes ainda mais real do que a primeira.
Tal como no teatro, em que a realidade é
colocada entre parênteses, o ensino e a aprendizagem
de uma língua estrangeira ocorrem num espaço-tempo
transicional (simbólico), por um lado, e
transaccional (relacional), por outro. Assim, cada
aula de uma cadeira de língua estrangeira
funciona como um parêntese na vida do aprendente,
onde a língua de aprendizagem se torna ela
própria veículo de expressão
e comunicação e as funções
expressiva, comunicativa e simbólica da linguagem
se deslocam para o centro do processo de aprendizagem.
Nesta perspectiva, a linguagem é, antes do
mais, um meio de expressão e de relação
em que o falar com enquanto eu é
mais importante do que o falar sobre, o
que faz com que o emprego comunicativo da língua
seja mais importante que o seu emprego referencial.
Paralelamente ou simultaneamente ao desenvolvimento
de capacidades linguísticas, o aprendente
percepciona onde se encontra, onde não está
e imagina onde é possível chegar.
Ou não fosse a língua, antes de
tudo o mais, vivida e experimentada e não
uma aprendizagem abstracta (Dufeu, 1996, p.
153), um laboratório de e para a comunicação.
Neste contexto, a colocação da realidade
entre parênteses de que estamos a falar permite
a criação de uma outra experiência
com outros sons, outra ortografia e, com eles, se
transportam diferentes formas de sentir as culturas
a que a língua-alvo está associada.
Uma
aprendizagem natural, fonte de desenvolvimento pessoal
No
relatório que elaborou para a UNESCO em 1978,
Lozanov preconizava que a educação,
o ensino e o desenvolvimento pessoal deveriam ser
considerados uma só realidade e, nesse sentido,
postulou que a tensão extenuante e angustiante
verificada na maior parte das práticas pedagógicas
provém muitas vezes da insegurança
do estudante, da falta de confiança nas suas
próprias capacidades de compreensão,
de memorização e de utilização
da informação nova que lhe é
fornecida. Por sua vez, no Quadro Europeu Comum
de Referência considera-se que a abordagem
preconizada, de carácter accional e intercultural,
deve centrar-se no aluno: - futuro profissional
e actor social que irá desenvolver ao longo
da vida competências gerais individuais, entre
as quais, a competência de comunicação
em língua estrangeira.
Preconizamos,
pois, o desenvolvimento simultâneo de aquisições
linguísticas e da pessoa do estudante, num
espaço-tempo onde se ensaia a vida e pratica
a língua, de forma distanciada, simbólica,
envolvente e autêntica. Em oposição
às abordagens que conferem a primazia aos
conteúdos, defendemos, para a aprendizagem
de uma língua estrangeira, ainda que não
descuremos aqueles, a primazia da comunicação
e do desenvolvimento pessoal, servindo-nos para
o efeito, dos fundamentos de uma pedagogia não-directiva,
criada por Carl Rogers (1978) e das Aprendizagens
Naturais e Comunitárias de Línguas
propostas por Curran (1977).
Partindo do princípio de que uma língua
estrangeira deve ser aprendida o mais natural e
espontaneamente possível, Terrell (1977)
considera que o tempo de ensino deverá
ser consagrado essencialmente a actividades comunicativas,
nas quais o professor utiliza apenas a língua
de aprendizagem, enquanto que os estudantes respondem
ou na língua materna ou na língua
estrangeira. Os erros e omissões devem ser,
pelo menos numa primeira fase, completamente ignorados,
a menos que isso possa impedir a comunicação.
Ao contrário do ensino tradicional e das
abordagens behavioristas da aprendizagem de uma
língua estrangeira, em que o erro é
considerado uma falta grave, a evitar e a corrigir
de imediato, entendemos justamente que o erro é
não só natural e inevitável,
como constitui um recurso maior de aprendizagem,
permitindo ao aprendente e ao professor desenvolverem
um processo de descoberta da lógica de uma
língua, da sua especificidade, do seu funcionamento,
num caminho aberto à criatividade.
Privilegiando os aspectos de expressão e
comunicação, fazendo recurso a materiais
de natureza artística e apelativos ao autoconhecimento
favorece-se e facilita-se a aprendizagem da língua
estrangeira. Neste contexto, as estruturas linguísticas
e lexicais são integradas de um modo rápido
e sem esforço e provêm do desejo interior
de aprender e de comunicar com os outros e não
de um processo imposto do exterior, como ocorre
na maior parte dos métodos tradicionais de
aprendizagem de uma língua estrangeira.
Considerando
que utilizamos apenas 4% das nossas capacidades
intelectuais, fruto de barreiras psicológicas
criadas em processos de aprendizagem anteriores,
Lozanov (idem) defende que essas barreiras constituem
obstáculos maiores e permanentes à
aprendizagem em geral e à aprendizagem de
uma língua estrangeira em particular e propõe
um trabalho no sentido de removê-las, não
pela confrontação directa, mas pela
activação dos imensos potenciais que
um indivíduo detém. Lozanov identifica
três tipos de barreiras psicológicas
que o adulto constrói ao longo do seu percurso
existencial: as barreiras lógicas, que se
detectam em pensamentos pessimistas do tipo, Aprender
é uma coisa sempre muito difícil e
complicada que exige muito tempo, esforço
e sofrimento; as barreiras afectivas que se
traduzem, muitas vezes, pela falta de confiança
em si próprio e que se manifestam em convicções
do tipo, Não tenho jeito nenhum para
aprender línguas, pois sou inibido;
as barreiras éticas ligadas aos valores adoptados
pelo indivíduo sobre a concepção
do mundo e do homem e que se confrontam com os dos
outros, traduzindo-se em observações
de características generalizantes do género,
mas todos somos e por isso devemos ou temos
de.
O
Jogo de Papéis
Um dos traços mais marcantes do Método
de Comunic-Acção é, sem
dúvida, o uso sistemático do jogo
de papéis e da expressão pelo movimento,
facilitadores do desenvolvimento da componente oral
da aprendizagem de uma língua e desencadeador,
se não de todas as competências linguísticas
necessárias à aprendizagem de uma
língua, pelo menos das competências
Conversar, Falar e Ouvir. Herdeiro
do Método de Aprendizagem da Língua
por Meio de Acções Físicas
de Harold e Dorothy Palmer, criado nos anos 30 e
do Método de Movimento (Total
Physical Response Method) de Asher, concebido
nos anos setenta, a aprendizagem pelo Jogo de Papéis
tem-se afirmado ao longo dos anos como uma fórmula
pedagógica muito popular - e porque não
dizê-lo - à la mode.
Mais
completa do que as que lhe antecederam e mais interdisciplinar,
o jogo de papéis tornou-se dos anos oitenta
para cá, numa prática de eleição
em qualquer curso de línguas digno desse
nome. Apesar do seu enorme sucesso e eficácia,
são poucos os escritos que o invocam e teorizam,
apesar de vermos o jogo de papéis integrado
em outras abordagens, às vezes de forma caricata
ou mascarado com outros nomes, como por exemplo,
Psicodramaturgia Linguística ou Simulação.
Comunicar com o outro através do desempenho
de papéis, expressar com o corpo e a voz
o seu mundo interior e exterior, accionar o mecanismo
do como se mágico, estabelecer um
ritual lúdico, aqui e agora com
os outros, tais são as características
principais de um jogo de papéis, onde quer
que ele seja praticado e sejam quais forem os objectivos
traçados para a sua realização.
Quatro pressupostos pragmáticos definem o
jogo de papéis. O primeiro define-o como
uma forma de expressão e comunicação
em que o indivíduo age em vez de contemplar
ou descrever, mostrando em actos, na fogueira da
acção e na primeira pessoa, o que
pensa ou sente. Essa acção decorre
num espaço dramático, cena ou cenário
de jogo, criado de forma rudimentar ou elaborada
e ocorre de forma improvisada ou pré-determinada.
Decorrente do princípio anterior, um segundo
pressuposto pragmático pode especificar a
prática do jogo de papéis: tudo se
passa aqui e agora, independentemente do grau de
preparação que possa ter antecedido
a acção. Nesta perspectiva a expressão
de cada participante, situa-se no momento, aqui
e agora e traduz-se numa acção. Richard
Courtney (1980), propõe três categorias
para essa acção: Eu Sou, Eu Faço
e Eu Crio. Ao acrescentar o Eu Sou
ao Eu Faço e ao Eu Crio,
Courtney (idem) alarga assim o campo proposto por
Dewey (1976) relativamente ao conhecido método
aprender fazendo. Aprender fazendo, sim,
mas numa dimensão de Ser. Na expressão
de cada pessoa, o Eu Faço, pressupõe
o Eu Sou, não fazendo pois sentido,
a expressão de um Saber-Fazer, sem
a expressão de um Saber-Ser. É
assim que, Eu Sou e Eu Faço,
se definem num mesmo espaço-tempo: a expressão
de si próprio, partilhada ou não com
os outros, com os objectos e com o meio, com ou
sem a intenção explícita de
criar um produto. A organização do
ensino de uma língua estrangeira deve, pois,
garantir esse espaço-tempo de expressão
do SER, do FAZER e do CRIAR,
que pressupõe uma estrutura espácio-temporal
semelhante à que o estudante encontra no
universo das relações sociais.
Da relação entre a realidade e a simbolização
da realidade poderemos enunciar um terceiro pressuposto:
o jogo de papéis, ao permitir a recriação,
a simbolização e a representação
de situações do quotidiano, reais
ou imaginadas, é a forma de expressão
que mais se aproxima da vida. Uma vez que não
podemos ter à mão o país cuja
língua os estudantes aprendem, criamos, então,
situações em que os participantes
podem viver, numa cena simbólica, uma realidade
futura com que, provavelmente, se irão deparar.
É de lembrar, no entanto, que o Jogo de Papéis
não reproduz a realidade; ele constitui,
por assim dizer, uma segunda realidade a viver (evitamos
aqui empregar o sempre equívoco conceito
de ficção), uma espécie de
segundo mundo que explica, transforma e reflecte
o primeiro, o da realidade, colocando esta no seu
lugar: uma forma possível de existência
entre outras possíveis.
Ao proporcionar a comunicação, através
de personagens imaginárias, o jogo de papéis
prepara o indivíduo para o contacto com os
outros, através da língua-alvo comum.
Este aspecto colectivo e imagético do jogo
de papéis promove e acelera todas as aquisições
linguísticas e comunicativas mediadas pelo
universo social.
E se, nos três princípios anteriores
pusemos em evidência o carácter interdisciplinar,
espontâneo e imagético da prática
de jogo de papéis, cabe-nos agora sublinhar,
num quarto pressuposto, o que, a nosso ver, o torna
mais significativo no ensino e aprendizagem de uma
língua: o jogo de papéis prefigurando
a sociedade e, nesse sentido, funcionando como um
parêntese na vida social, permite pensar e
exercitar a língua no universo da vida comunitária.
Depois de ter sido dado vocabulário sobre
uma viagem, por exemplo, propõe-se uma situação
de jogo de papéis: pede-se aos participantes
que imaginem personagens de acções
desenvolvidas num aeroporto. O que dizem? O que
fazem? Para onde vão? O que pensam? E as
diversas situações vão emergindo.
O mesmo se pode propor para o vocabulário
de cortesia, convidando os participantes a imaginarem-se
personagens que se encontram pela primeira vez.
A Redacção viva
Para
construir a nossa técnica pedagógica
interdisciplinar, a Redacção Viva,
inspiramo-nos, por um lado, na ideia do jornal vivo
de Moreno, que integrava o seu Teatro da Espontaneidade
e na estratégia educativa, o jornal escolar,
concebido por Freinet, que para motivar os estudantes
à aprendizagem da escrita propunha-lhes que
narrassem aquilo que tivessem vontade e para que
os outros pudessem tomar conhecimento dos seus relatos,
imprimia as várias produções
num jornal impresso, que contava com a produção
de todos os alunos da turma.
Consiste a nossa proposta de trabalho na dramatização
de notícias de jornal, spots publicitários,
reportagens, etc., através de várias
técnicas de expressão dramática.
Trata-se com efeito, de passar à acção
dramática, textos simples tirados da vida
quotidiana das pessoas, da política, da arte,
etc., ou da criação de reportagens
imaginárias, legendas para fotografias, textos,
etc.
O objectivo central da abordagem redacção
viva que integra o nosso Modelo de Comunic-Acção
é o de motivar os aprendentes de língua
portuguesa, a, pela linguagem jornalística,
produzirem textos, partilharem ideias e exprimirem-se
na língua de aprendizagem.
Ainda que neste projecto se privilegie mais o processo
do que o produto final, o grupo é encorajado
a produzir um jornal didáctico. A aula transforma-se
numa autêntica redacção de um
jornal com a multiplicidade de tarefas interdisciplinares
que a caracterizam. Tudo está organizado
para a passagem ao acto, através do jogo
de papéis.
Ao propormos a utilização da linguagem
jornalística, encorajamos os participantes
a criarem textos, a adquirirem rapidamente e sem
esforço estruturas linguísticas e
lexicais, a lerem, interpretarem e produzirem textos
jornalísticos (notícias, crónicas,
reportagens, entrevistas, críticas, publicidade,
etc.) e textos publicitários. Trata-se, pois,
de promover, na aprendizagem da língua, a
compreensão e produção de textos
orais e escritos de conteúdos e discursos
diversos correspondentes às diferentes necessidades
de expressão e de comunicação.
Temos podido constatar que os estudantes se sentem
extraordinariamente motivados ao verem os seus textos
publicados no jornal de suporte papel ou digital.
Com efeito, as questões emergentes, os exercícios,
os jogos de papéis, conferências, debates,
mesas-redondas, visitas de estudo, encorajam os
estudantes a exprimirem-se e a comunicarem na língua
que estão a aprender. Os jornais impressos
são distribuídos por todos os participantes,
e isso permite-lhes partilhar os textos, a fim de
poderem corrigi-los, mudar-lhes a forma, o estilo,
etc. Os próprios exames e a respectiva correcção
são também apresentados na forma de
jornal.
Os
Papéis do professor
Para
facilitar as aprendizagens e conduzir o processo
de ensino/aprendizagem de uma língua estrangeira
que temos vindo a descrever impõem-se mudanças
nos papéis tradicionais dos actores implicados:
o professor torna-se criador de situações
de aprendizagem, observador-participante e actor-participante
nas situações criadas e o aprendente
torna-se actor principal no seu processo de aprendizagem
e participante activo na planificação,
gestão e avaliação das suas
competências comunicativas e linguísticas.
A importância conferida ao meio ambiente e
ao universo das relações sociais,
a atmosfera permissiva, controlada e relaxada de
tensão, o tipo de relação empática
e compreensiva que o professor é chamado
a desenvolver e o estilo de comunicação
adoptado impõem a definição
de papéis para o desenvolvimento e orientação
de uma aprendizagem sem esforço, susceptível
de conduzir cada estudante a aprender uma língua
estrangeira em menos tempo e com mais eficácia
do que pelos métodos convencionais. Cabe
ao professor, animador e facilitador, encorajar
os participantes a criarem o momento, desempenhando
para o efeito, três tipos de papéis:
Observador-participante, o professor segue activamente
as situações criadas, observando a
sua dinâmica e recolhendo elementos fundamentais
da acção e dos papéis desempenhados
pelos participantes no decorrer da acção.
Como criador de situações, o professor
proporciona a variação dos elementos
da actividade, por uma intervenção
directa, em que cria espaços ou selecciona
materiais e, por uma intervenção indirecta,
agindo no momento em que a actividade decorre, propondo
situações, papéis, mudanças
de espaço, alterações na composição
dos grupos, mudanças de personagens, etc.,
de acordo com a percepção que tem
das necessidades, motivações e interesses
dos participantes e da energia criadora que deles
emana. Actor-participante, intervém nas actividades,
jogando ele próprio papéis, com o
objectivo de fornecer ao estudante um contra-papel
que lhe facilite a expressão. No papel de
actor-participante, o professor de língua
estrangeira deverá, no entanto, evitar a
transposição dos seus fantasmas e
a infantilização, leia-se pedagogização.
Age tecnicamente, sabendo que o papel que joga no
interior da situação pedagógica
deve ser distanciado, de forma a poder corresponder
às necessidades concretas dos aprendentes.
Como se pode imaginar é de monta a formação
que tem de ter um orientador-animador no Método
de Comunic-Acção para desempenhar
os vários papéis que a dinâmica
de cada sessão lhe exige: professor, psicólogo,
animador de grupo, actor, artista e criador de material
didáctico específico, único
e inovador, que vai da selecção de
extractos de obras de autor e da criação
de pequenos sketches, jogos, canções,
etc., à proposta diversificada de actividades
constantemente criadas e aperfeiçoadas. Todo
este material deverá estar em interacção
com as competências globais (compreensão
e expressão) e específicas (fonológicas,
lexicais e gramaticais) visadas em cada sessão
de trabalho no quadro do Método de Comunic-Acção.
Conclusão
O
Método de Comunic-Acção
centra-se na pessoa do aluno, na sua sede de aprender,
nas suas capacidades, interesses e expectativas
e facilita a apropriação de conteúdos
lexicais, gramaticais e fonéticos, utilizando,
sistemáticamente, o
jogo de papéis, apoiando-se
na
experiência e na resolução
de problemas,
guiando-se por uma Pedagogia
de Arte do Momento, mobilizando
recursos numéricos
diversos (CD'ROM, DVD, Sítio na Rede,
etc.) e materiais didácticos interactivos
na Teia (viagem
virtual,
histórias interactivas,
caças
ao tesouro, etc.), proporcionando
uma aprendizagem
sugestiva, que postula a aprendizagem
pela totalidade do cérebro, promovendo a
alegria, a ausência de tensão, a unidade
do consciente e do inconsciente, a activação
de reservas da personalidade e ligando os aspectos
lógicos e os aspectos emocionais da aprendizagem.
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